sábado, 31 de outubro de 2009

Encontro de «gigantes» na RTPN

Hoje, na RTP N, às 23h00, José Rodrigues dos Santos entrevista José Saramago, a propósio de Caim. A não perder :) 

PS: desculpem pelo lapso relativamente ao Dan Brown... de qualquer modo, este é um programa que vale sempre a pena ver, seja qual for o convidado!

Dormir entre os livros


Estava a vaguear pelas paginas do Expresso e eis que encontro algo que me chama a atenção: "Dormir de borla na livraria".  Tratava-se, nada mais nada menos, de uma das mais famosas livrarias do mundo, a Shakespeare & Company, onde se podem encontrar livros sobre tudo e mais alguma coisa, em qualquer língua e de qualquer parte do mundo. Já me tinham avisado de que esta não era uma livraria qualquer... isto porque escritores, aspirantes a tal ou simplesmente amantes da literatura podem lá pernoitar a custo (quase) zero. The catch?
Por cada noite bem passada é preciso passar duas horas durante o dia a arrumar livros... (que penosa e infindável tarefa ;)
Quem for a Paris e não tiver alojamento já sabe que tem alternativa (muito instrutiva). Há casa de banho, mas não chuveiro... mas já se deixou de tomar banho por muito menos, não?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Stephen King participa em nova série de livros de BD


American Vampire, cujo lançamento está programado para Março de 2010,  é o nome da nova série de livros de banda desenhada em que Stephen King vai colaborar. A história que o autor vai desenvolver gira em torno de Skinner Sweet, o primeiro vampiro norte-americano, com características tenebrosas: é um assaltante de bancos e um cowboy assassino dos finais do século XIX. A sua particularidade? É mais rápido e forte do que outros vampiros, pois, pasme-se, é movido a energia solar.
Serão publicados cinco fascículos, que contam duas histórias diferentes, sendo que Stephen King só escreverá uma delas. A outra fica a cargo de Scott Snyder, que ficou conhecido pela obra Voodoo Heart. Este último argumento vai-se centrar na decadência e decepção, mas também no glamour da época do Jazz. A personagem centra é Pearl, uma mulher moderna e ambiciosa que procura a sua grande oportunidade em Hollywood mas que pelo caminho é travada por alguns precalços sinistros e tenebrosos. 
O trabalho artístico ficará a cargo de Rafael Albuquerque, celebrizado pelo trabalho que desenvolveu nas BD's de Superhomem e Batman. Ler mais

O que há de novo n'A Esfera dos Livros



Há novidades para todos os gostos. 
  • Em A Paixão do Poder, José António Marina reflecte acerca do fascínio em torno do poder, um fenómeno que considera omnipresente, pois se encontra presente em todos os campos: sexo, amor, família, religião, mundo empresarial, entre outros.
  • Sofia Pinto conta-nos história bizarras e insólitas (mas verídicas) acerca da Justiça portuguesa, no livro As Extraordinárias Aventuras da Justiça Portuguesa
  • Chic em Qualquer Ocasião, da autoria de Vicky Fernandes (conhecida socialite das revistas cor de rosa portuguesas), promete resolver todos e quaisquer constrangimentos que possamos sentir na gestão da nossa vida social. Vicky Fernandes explica-nos não só as regras fundamentais de etiqueta e protocolo, mas também todas as pequenas questões que nos assaltam no nosso quotidiano: num jantar formal ou de amigos, numa entrevista de emprego, num casamento ou funeral.

Novidades da Quinta Essência para os mais românticos


TUA PARA SEMPRE
Luanne Rice & Joseph Monninger
168 páginas • 14.00 euros

Poderá um casamento feliz resistir à mais dura das provas? A história apaixonante de um casal antes e depois do momento que mudou a vida de ambos para sempre.
Sam e Hadley West tentam, cada um à sua maneira, encontrar um novo rumo para a sua vida, depois da trágica perda do filho de ambos, Paul. Para Sam, o futuro passa por encontrar o local onde o filho morreu, numa arriscada jornada em trenó pela árida e bela imensidão do Alasca. Para Hadley, implica mudar-se para uma casa de praia, distante, isolada e coberta de salitre, onde finalmente recomeça a pintar.
A partir daí, em lados opostos do país, os dois começam a trocar cartas repletas de sentimentos e verdades que não conseguiram expressar pessoalmente, enquanto recordam o seu casamento — os momentos mágicos e os mais desafiantes —, redescobrindo as razões por que se apaixonaram. A história de ambos é rica e intensa, entre as memórias de um passado feliz e as emoções profundas que os abalam no presente.
Enquanto Sam arrisca a vida para alcançar o remoto local do acidente, Hadley inicia uma outra viagem, igualmente perigosa, lutando contra o vazio e a dor que sente. E, no local onde tudo se perdeu, eles vão reencontrar-se…
Será o amor que ainda os une capaz de preencher o vazio provocado pela morte do filho ou terão de trilhar caminhos diferentes? Nesta notável colaboração, Luanne Rice e Joseph Monninger criam, através de uma série de cartas íntimas e profundas, um romance extraordinariamente comovente. Tua para Sempre é uma história dolorosamente real, emotiva e inesquecível.


FEITIÇOS DE AMOR
Barbara Bretton
296 páginas • 15.00 euros

O coração pode ser tocado pela magia... mas o poder do verdadeiro amor é mais forte que qualquer encantamento...
Parece uma vila bucólica igual a tantas outras, mas esconde um segredo antigo de todos os visitantes…
Sugar Maple é uma terra encantada habitada por feiticeiras, fadas, vampiros e outras criaturas mágicas. Chloe Hobbs é a única que não tem poderes especiais naquele lugar onde nada é o que parece.
Chloe é a proprietária da Sticks & Strings, uma popular loja de artigos de tricô. Mas é também a última descendente de uma longa dinastia de feiticeiras com o futuro de Sugar Maple nas mãos. Chloe sabe que tem de se apaixonar para receber os poderes mágicos e continuar a proteger a sua terra natal. Mas, aos 30 anos, ainda sonha com o verdadeiro amor e as amigas decidem lançar feitiços para a ajudar a encontrar o homem dos seus sonhos.
O que ninguém esperava era que Chloe se apaixonasse perdidamente por Luke MacKenzie, o polícia destacado para investigar o primeiro crime ocorrido em Sugar Maple e cem por cento humano. Se o amor abre finalmente a porta aos seus poderes mágicos, esses mesmos poderes impedem Chloe de sonhar com um futuro ao lado de Luke…

Noddy faz 60 anos


Não havia um novo livro do Noddy deste 1963. O famoso boneco de madeira criado por Enid Blyton, em 1949, existe no imaginário das nossas crianças devido às séries de televisão animadas, aos DVD's, brinquedos, jogos e espectáculos ao vivo. 
No entanto, ontem a HarperCollins publicou o livro Noddy and the Farmyard Muddle, escrito por Sophie Smallwood, neta de Enid Blyton, e ilustrado por Robert Tyndall, o desenhador oficial dos livros da série. 
O livro assinala os 60 anos da criação de Noddy e apresenta três novas personagens à Cidade dos Brinquedos - Stumpy, o elefante, o Touro e o Galispo - e "dispensa" os politicamente incorrectos Golliwogs, vítimas dos melindres anti-racistas contemporâneos (chegaram a ser eliminados das reedições dos livros), e a castigadora professora Miss Prim (mais tarde Miss Rap). Ler mais no DN

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Catarina de Aragão - A Princesa Determinada



Autor: Philippa Gregory
Título original: The Constant Princess
Editora: Civilização
Páginas: 451
ISBN:
972-26-2455-5
Tradução: Maria Beatriz Sequeira


Sinopse: Catarina de Aragão nasce Catarina, Infanta da Espanha, de pais que eram reis cruzados. Aos três anos foi prometida ao príncipe Artur, filho e herdeiro de Henrique VII da Inglaterra, e é educada para ser princesa de Gales. Sabe que o seu destino é reinar sobre aquela terra distante, húmida e fria. A sua fé é posta à prova quando o futuro sogro a recebe no seu novo país com uma grande afronta; Artur parece ser pouco mais do que uma criança; a comida é estranha e os costumes vulgares. Lentamente, adapta-se à sua primeira corte Tudor, e a vida como mulher de Artur vai-se tornando mais suportável. Inesperadamente, neste casamento arranjado começa a nascer um amor terno e apaixonado. Mas, quando o jovem Artur morre, ela tem de construir o seu próprio futuro: como pode agora ser rainha da Inglaterra e fundar uma dinastia? Só casando com o irmão mais novo de Artur, o alegre, mas mimado Henrique. O pai e a avó de Henrique são contra e os poderosos progenitores de Catarina revelam-se de pouca utilidade. No entanto, Catarina possui um espírito lutador é indomável e fará qualquer coisa para alcançar o seu objectivo; mesmo que tal implique contar a maior das mentiras e mantê-la.

Opinião: O romance histórico é um dos maus géneros literários favoritos, mas nunca tinha lido Philippa Gregory; apenas tinha visto a adaptação no cinema do seu livro Duas Irmãs, Um Rei, com muita pena minha, aliás, porque normalmente se vejo o filme já não consigo ler o livro por conhecimento integral da história - excepto quando se trata de O Senhor dos Anéis :)

É sempre bom relembrar que o romance histórico é precisamente isso: um romance. Não me preocupei, tal como nunca me preocupo nestas situações, em encontrar potenciais incorrecções na História, embora tenha que fazer um apontamento nesse sentido. A autora relegou para segundo plano (ou mesmo terceiro) o reino de Portugal, só referido a propósito de casamentos reais. A acção de Catarina de Aragão - A Princesa Determinada ainda não contempla a existência do Imperador Carlos V, cujo poderio acabou por ofuscar por completo o seu vizinho ibérico (contexto em que era compreensível relegar a preponderância do nosso reino na conjuntura de então). No entanto, quando Philippa Gregory se refere à vontade de uma Espanha ainda em construção fazer a Cruzada contra os mouros, esquece, por completo, que o mesmo estava a ser feito por parte de D. Manuel, nomeadamente nas praças do Norte de África (não estando aqui em questão se foram incursões militares mal ou bem sucedidas). Nem sequer ponho em causa a falta de cultura histórica da autora, apenas quis assinlar o que me pareceu ser a manifestação da mundividência britânica que sempre percepcionou o reino português enquanto uma formação política periférica nos jogos de poder da (grande) Europa.

Posto isto, vamos ao que interessa. Fazendo uma apreciação global, esta é uma obra muito interessante, que conta a história de uma princesa espanhola que desde menina estava destinada a ser Rainha de Inglaterra. A escrita é muito simples e directa e nem por um momento a autora se perde em grandes contextualizações históricas.
A história de Catarina é contada por uma mulher, o que explica que a atenção esteja focada nos amores e desamores, nas intrigas de alcova, nos atritos entre cortesãs e cortesãos e nos sentimentos. Nem por isso o livro perde. Gregory é uma grande contadora de histórias e consegue perfeitamente transportar o leitor para aquela realidade: apeteceu-me dar concelhos à jovem e mimada Catarina, afligi-me com o seu sofrimento após a morte do seu marido (e amor) e congratulei-me por ter conseguido cumprir o seu objectivo após tantas adversidades e tornar-se Rainha de Inglaterra.

Adorei o facto de ser estabelecida uma dicotomia tão grande entre o estilo de vida ibérico e o inglês. Em terras espanholas, Catarina vivia como uma autêntica moura cristã, em palácios construídos para serem bonitos, alegres, quentes, cheios de vida e cor. Em Inglaterra estanhou o facto de os ingleses não tomarem banho regularmente e, principalmente, o de estar sempre frio, já que o clima era húmido e agreste.

Sendo esta uma visão marcadamente feminina dos acontecimentos, agradou-me que a autora tenha incluído (nas ultimas 50 páginas, é certo) alguns pormenores de cariz mais militarista. As descrições de Catarina enquanto Rainha/Guerreira são muitissímo interessantes, nomeadamente porque corroboram a grande estratega militar que relevou ser - foi efectivamente ela que liderou a ofensiva militar que ditou a morte de Jaime da Escócia. Enquanto apaixonada pela História Marítima que sou, também me agradou a pequena incursão que a autora fez nesses domínios, dando a ideia de que já nesta época Inglaterra começava a dar os primeiros (mas pequenos) passos para se tornar a potência naval que seria no futuro.

Já gostei menos das constantes alusões à religião. A narrativa é intercalada com os próprios pensamentos de Catarina, os quais, infelizmente, não são mais do que uma súmula de súplicas a um Deus que não atende os pedidos de uma mulher profundamente convencida de que tudo na sua vida é regido pela vontade divina. Não me interpretem mal. Não se trata de uma crítica à religião; apenas me pareceu que Gregory exagerou e que podia ter aproveitado de melhor forma este «canal de comunicação» que abriu entre a personagem principal e o leitor.

Ainda assim, a obra tens mais aspectos positivos do que negativos. Para os fans da narrativa de Philippa Gregory é muito útil enquanto enquadramento para outros dos seus livros, nomeadamente A Outra Rainha e Duas Irmãs, Um Rei. O leitor compreenderá melhor a dimensão desta última obra se ler esta sobre Catarina, na medida em que pode acompanhar o crescimento e amadurecimento do pequeno Henrique e compreender melhor a figura do homem que se tornou Henrique VIII.
Em suma, fiquei convicta de que Philippa Gregory é uma grande contadora de histórias e tenho a certeza de que este foi o primeiro de outros romances seus que irei ler.
Classificação: Muito Bom (8/10)

Astérix chegou a Portugal "de foguetão"


Achei muito curioso o pequeno apontamento do DN, que, a propósito da comemoração dos 50 anos de Astérix, recorda a chegada do guerreiro gaulês a Portugal. Os portugueses ficaram a conhecer Astérix e Obélix em Maio de 1961, no semanário "Foguetão", cerca de ano e meio depois desta banda desenhada ter sido publicada em França. 
O semanário não teve futuro (contou apenas com 13 edições, talvez pelo preço, 2$50 escudos, uma exorbitância para a época), mas Astérix sobreviveu, surgindo em 1963 no "Zorro", e nunca mais abandonou terras lusas deste então.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Uma imagem vale por mil palavras


O que há de novo - Propostas da Casa das Letras


De todos, o mais cobiçado será o novo livro de Haruki Murakami, Auto-Retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo, uma obra de memórias e confidências. Suspeito que Cozido à Portuguesa reúna algumas das crónicas de Domingos Amaral (que podem ser lidas no Correio da Manhã). Para os apaixonados pelo Principezinho a sugestão da Casa das Letras é a obra Inéditos, de Saint-Exupéry.
Pessoalmente, fiquei muito interessada no livro Roma - A Ascensão e a Queda de um Império, de Simon Baker, uma visão menos «académica» mas nem por isso menos «séria» acerca de um dos mais interessantes (e, atrevo-me a acrescentar, empolgantes) períodos da História. Por fim, também fiquei curiosa com A Fábula, de Faulkner, que se centra na I Guerra Mundial e considerada, pelo próprio, a sua obra-prima.

"O Símbolo Perdido" de Dan Brown disponível hoje a partir da meia-noite

As lojas Bertrand, FNAC e Tangerina (Galp) abriram uma excepção e estarão abertas ao público à meia-hora, hora em que oficialmente será posta à venda a tradução portuguesa de O Símbolo Perdido
Diz o CM que nos EUA a primeira edição vendeu cerca de um milhão (sim... esses todos) de exemplares nas primeiras 24 horas. Proporcionalmente, por cá a tiragem inicial é de 140 mil exemplares, que também deverão esgotar em pouco tempo.

A história desenrola-se durante 12 horas, em Washington, e começa com um acontecimento macabro: uma mão decepada é encontrada com uma tatuagem no dedo indicador e outra no polegar. Desta vez, Dan Brown convida a uma saga sobre os segredos da Maçonaria nos EUA e os seus vários símbolos.

Pessoalmente, vou ficar à espera das primeiras críticas, porque Dan Brown já me agradou muito mais :) Ainda assim, os mais ansiosos já podem ler hoje, em português, antes de ir dormir, este novo best seller.

Richard Zimler reage aos comentários de José Saramago


A polémica em torno das declarações de José Saramago a propósito do novo livro Caim ganhou uma dimensão que nem o próprio esperava.
A propósito deste tema, vale a pena ler a opinião de Richard Zimler, que me pareceu ser uma análise lúcida acerca de um assunto que se tornou um autêntico absurdo, ou, nas palavras do próprio, uma tola controvérsia. 




O artigo, intitulado "Saramago e a insustentável leveza da ignorância" (uma alusão muito feliz, devo acrescentar, à conhecida obra de Kundera), e está disponível no Ípsilon. Aqui ficam algumas das passagens que considerei mais pertinentes:

"Considerei que no fundo não valia a pena dar importância aos comentários de Saramago, pela ingenuidade e infantilidade da interpretação literal que ele (juntamente com os fundamentalistas religiosos) faz das histórias do Antigo Testamento. Uma das mais importantes lições que retirei do estudo da história das religiões e da mitologia é que as narrativas mitológicas são - na sua maior parte - poesia e não prosa. A história de Adão e Eva é poesia. Ou será que haverá alguém que acredite que Eva foi feita de uma costela de Adão?"
"As palavras de Saramago pareceram-me ainda como o "much ado about nothing", o muito barulho para nada, com que soa qualquer coisa que nem remotamente é novidade. Há cerca de dois mil anos que os filósofos judeus vêm debatendo a brutalidade de Deus e da humanidade no Antigo Testamento, em tons bastante mais emocionados do que os usados no debate em causa."
"Custa-me compreender como é que alguém, ainda que vagamente familiarizado com a filosofia e a literatura ocidentais, pode acreditar que erguer-se em 2009 contra a crueldade contida no Antigo Testamento tem alguma coisa de novo ou de chocante. Ou sequer interessante."

terça-feira, 27 de outubro de 2009

“A Lenda de Sigurd e Gudrún" nas livrarias no dia 2 de Novembro


Por aqui ainda não há o hábito de noticiar os últimos lançamentos editoriais, mas há uma ou outra novidade que não posso deixar de referir, nomeadamente a publicação desta obra inédita de J. R. R. Tolkien, organizada por Christopher Tolkien, filho do escritor e grande impulsionador e divulgador do imaginário «tolkiano». 

O blog Os Meus Livros disponibiliza um excerto desta obra para acalmar os ânimos dos mais ansiosos :)

Sinopse: Há muitos anos, J. R. R. Tolkien compôs a sua própria versão, agora publicada pela primeira vez, da grande lenda da antiguidade nórdica, em dois poemas intimamente relacionados, a que deu os títulos de «O Lai dos Volsungos» e «O Lai de Gudrún».
Em «O Lai dos Volsungos » conta-se a história do grande herói Sigurd, o assassino de Fáfnir, o mais famoso dos dragões, de cujo tesouro se apoderou, o despertar da Valquí
ria Brynhild que dormia rodeada por uma muralha de chamas e o noivado dos dois. Após a chegada de Sigurd à corte dos grandes príncipes Niflungos (ou Nibelungos), o herói desperta o amor mas também o ódio da feiticeira dos Niflungos, versada nas artes mágicas. Em «O Lai de Gudrún» é contado o seu destino depois da morte de Sigurd, o casamento, contra a sua vontade, com Atli (ou Átila), governante dos Hunos, o assassinato dos seus irmãos, os senhores Niflungos, e a sua vingança hedionda.

A polémica em torno de Saramago vista pelo Inimigo Público


Nestas coisas do humor, cada um reage à sua maneira, razão pela qual me abstenho de comentários, porque às vezes só rir é mesmo o melhor «remédio» :) Inimigo Público



segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A Medida do Mundo

Autor: Daniel Kehlmann
Título original: 
Die Vermessung der Welt

Editora: Editorial Presença
Páginas: 224
ISBN:
9789722337151
 
Tradução: Maria das Mercês Peixoto

Sinopse: Este romance é como que uma magnífica fábula do Século das Luzes, ao retratar as personalidades de dois gigantes do Iluminismo alemão: Alexander von Humboldt e Carl Friedrich Gauss. A narração começa quando os dois eminentes sábios se encontram em Berlim, no ano de 1828. Humboldt, aristocrata e asceta, fanático da medida, torna-se um dos fundadores da moderna geografia graças às suas incansáveis explorações pelo mundo, enquanto Gauss, o Príncipe das Matemáticas, prefere ficar sentado à secretária fazendo cálculos, exilado de um futuro a que sente pertencer. Apesar das diferenças que os separam, têm em comum o anseio de compreender o mundo através de fórmulas verificáveis pela Razão. A Medida do Mundo manteve-se durante cerca de um ano à cabeça das tabelas de vendas na Alemanha e foi traduzido em 34 países. Daniel Kehlmann é considerado um renovador da literatura de ficção em língua alemã.

Opinião: Este foi um livro que li durante o Verão e não queria deixar de o recomendar. Numa obra de dimensão tão razoável, Daniel Kehlmann conseguiu atingir vários objectivos:
  • Retratar a crença no progresso, que marcou amplamente o século XIX. Subjacente a toda a narrativa está a importância que teve a ascensão das Ciências Exactas enquanto via para a compreensão de todos os fenómenos da terra e do homem;
  • Biografar as vidas de duas figuras incontornáveis para a História da Ciência, Alexander von Humboldt and Carl Gauss, dois «gigantes» da ciência alemã do século XIX;
  • Acentuar as diferenças entre duas posturas (ditas) científicas: atingir o conhecimento através da experiência ou através do cálculo e das fórmulas matemáticas. 
O mais interessante neste romance é precisamente o contraste estabelecido entre Humboldt  e Gauss, que «mediram o mundo» de formas totalmente opostas. O primeiro mediu literalmente tudo o que era passível de ser medido através das suas viagens de exploração na América do Sul. Pelo contrário, Gauss nunca se afastou muito de casa e a maior parte do seu trabalho foi desenvolvido entre quatro paredes. Estas circunstâncias repercutem-se em pontos de vista muito diferentes, embora ambos procurem cumprir o mesmo objectivo: definir com a maior exactidão possível o conhecimento acerca dos aspectos físicos que regem a vida dos homens.

Humboldt protagonizou uma das expedições científicas mais publicitadas na época. É, portanto, compreensível que Kehlmann tenha optado por dar mais visibilidade a essa circunstância. Assim, em parte, este é um livro de viagens e aventuras, com todos os condicionantes e todas as peculiaridades que o século XIX lhes conferia.
É absolutamente fantástico e uma leitura recomendável a todos os níveis.
Classificação: Excelente (9/10)

domingo, 25 de outubro de 2009

Incentivo à leitura (não resisti!)







Todas as estratégias são válidas, pois embora se tenha concluído que o Plano Nacional de Leitura está a ter resultados positivos - li no DN que os portugueses estão a ler mais e a valorizar a importância de adquirir hábitos de leitura - ainda está muito por fazer, nomeadamente entre os mais novos!


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

"O Espírito de Natal é um Livro Aberto"

Ainda faltam dois meses para o Natal, mas é sempre tempo de fazer uma criança feliz e de lhe levar a felicidade que é ler um livro. É este o mote da iniciativa "O Espírito de Natal é um Livro Aberto", promovida pela Editora Civilização em parceria com a fundação Gil.
Espreitem e participem! Não custa nada e se a vossa participação for um múltiplo de 10 ainda recebem um livro à escolha :)
Aqui fica o endereço: http://www.espiritolivroaberto.com/

Festival Internacional de BD da Amadora


A edição de 2009 do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora que, este ano, comemora vinte anos decorrerá entre os dias 23 de Outubro e 8 de Novembro, no Fórum Luís de Camões, na Brandoa.
Vão ser assinalados os 50 anos de Astérix, os 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa e vão ser homenageados Vasco Granja e Héctor Germán Oesterheld. Podem consultar todos os detalhes no site oficial do FIBDA.


Aqui ficam algumas novidades editoriais, sendo que o destaque vai para O Romance da Raposa, com argumento de Aquilino Ribeiro (que escreveu a história para um dos seus filhos, em 1924) e ilustrações de Artur Correia.



Um Leão Chamado Christian

Autor: Anthony Bourke e John Rendall
Título original: A Lion Called Christian
Editora: Editorial Presença
Páginas: 164
ISBN:
9789722342339
Tradução: Manuela Madureira 


Sinopse: Em 2008, um extraordinário clip de vídeo apareceu no You Tube tornando-se imediatamente um fenómeno internacional. Visto por mais de 44 milhões de pessoas mostra o reencontro comovedor entre dois homens e o seu leão de estimação, Christian, que haviam comprado nos armazéns Harrods, em Londres, quando bebé e devolvido ao seu habitat natural e selvagem em África um ano antes. A acção da obra decorre no final dos anos 60, em que os autores, de nacionalidade australiana, tinham vinte e poucos anos. Com o passar do tempo e o convívio com os humanos, Christian revela-se um animal de trato fácil, dócil e cooperante. Mas Christian cresce depressa e os seus donos recusam-se a entregá-lo a um jardim zoológico ou ao circo. E é assim que surge a ideia de o levar para o Quénia, onde ficaria à guarda de George Adamson, um amante da vida selvagem, que quer começar a reabilitar leões que estejam em cativeiro e devolvê-los ao seu meio natural. Um ano depois Anthony e John decidem reencontrar-se com Christian que os recebeu de "patas abertas", reconhecendo-os e abraçando-os. Um livro destinado a tornar-se um clássico da literatura animal.

Opinião: Não é possível ficar indiferente à história de Christian. Claro que quem tem um animal de estimação e construiu com ele uma relação de amor e amizade ainda se emociona mais (como eu), mas não me parece que esse seja um critério para gostar deste relato. 
O livro lê-se de uma assentada e a escrita é muito fluída e pouco maçadora. Lê-se como se de um artigo de fundo se tratasse. É pormenorizado q.b. no que toca à descrição das situações que permitem o leitor formar uma imagem muito precisa no que diz respeito à personalidade e comportamento de Christian, mas não cansa com detalhes supérfluos ou contextualizações desnecessárias.

A edição inclui inúmeras fotografias, através das quais podemos acompanhar o crescimento de Christian e a sua viagem, desde a sua permanência no apartamento em Londres até à sua chegada a Kora, o seu «reino» em África. 
Aprendi duas coisas ao ler Um Leão Chamado Christian:
1) Que até o amor mais impossível se pode materializar;
2) Que devíamos ser muito menos egoístas e prestar mais atenção ao que nos rodeia, porque neste planeta somos apenas uma das muitas espécies e a nossa «luta» pela sobrevivência em nada se compara às de outras espécies que lutam diariamente para sobreviver em ambientes muito mais hostis do que o nosso (culturalmente adaptado para que não nos falte nada) e contra todas as probabilidades. 

O livro vale a pena por tudo isso e muito mais. É uma viagem incrível, que me ensinou que em Londres, no final dos anos 60, era possível comprar um leão, um puma ou o animal mais exótico que se possa imaginar; que, como em tudo na vida, é preciso ter sorte e encontrar as pessoas certas que façam por nós o impossível (neste caso por um leão); e, por fim, que devemos respeitar a natureza e contribuir para que o tipo de organizações (e pessoas) que permitiram a reabilitação de Christian continuem a ter condições para desenvolver esse tipo de trabalho, nos mais variados níveis e com os vários tipos de animais cujas condições de vida estão cada vez mais precárias - admito que este é um desejo utópico e que ao longo da nossa vida urbana pouco contribuiremos para esta e outras causas afins.

Aqui fica a reflexão que está subjacente a todo o livro: 
"[...] A magia de Christian incita-nos de novo a meditar no inter-relacionamento de todas as criaturas vivas e na urgência da necessidade de acção para a consevação da vida selvagem. Se todos os que nos comovemos com a história de Christian nos juntássemos para resolver algumas das questões enfrentadas pela comunidade global, o que poderíamos conseguir juntos no espírito de amor de Christian e de amor à vida?"
Classificação:  Excelente (9/10)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A «ameaça» da Reconquista em pleno século XXI

E eis que José Rodrigues dos Santos continua em destaque neste blog... não se trata de um "ódio" de estimação, antes pelo contrário, já aqui disse que li dois romances do jornalista/escritor. O problema é que não consigo ficar indiferente a certos e determinados "fenómenos" - mesmo correndo o risco de parecer uma pseudo-intelectual intolerante.

Depois de ter sido anunciado que um ex-operacional da Al Qaeda (uma organização pouco simpática) iria estar presente no lançamento de Fúria Divina, o tema já se adivinhava... Não pensei que a conspiração fosse tão longe e que abarcasse a questão da Reconquista, mas assim é: o que está em causa no livro é a ambição islâmica de recuperar o Al-Andalus (o resto da notícia pode ser confirmada no DN). O tema é sedutor, nomeadamente numa época em que se construiu a narrativa de que o maior inimigo do Ocidente é o Islão. No entanto, disparatado e surreal, nomeadamente porque, tal como Robert Langdon (o herói solitário de Dan Brown), é um historiador português que, contra tudo e contra todos, salva um país (neste caso uma península) da catástrofe - aliás, porque é muito verosímil a materialização da conquista territorial de um país europeu no século XXI (deve ter sido por isso que comprámos submarinos...).
 

Posto isto, cada vez me parece mais que José Rodrigues dos Santos escreve para vender (o que no mundo em que vivemos nem é propriamente um defeito e a indústria livreira, bem sei, já luta o bastante para sobreviver) e as mega operações de marketing que rodeiam cada lançamento acabam por encobrir aquilo que já considerei ser uma grande falta de consistência literária. 
Talvez esteja a ser hiper crítica, mas deixei de ler Rodrigues dos Santos pela mesma razão que deixei de ler Dan Brown: muito «fogo de vista», muita acção e pouca profundidade. O nosso campeão de vendas, pelo menos, estimula o mercado, pois, perdoem-me, duvido de que todas as pessoas que adquirem os livros os acabem por ler até ao fim - aliás, estou convicta (e estarei até prova em contrário) de que muitos portugueses compram livros para embelezar as estantes; de outra maneira não se explica que o The Lost Symbol esteja no top dos livros mais vendidos há semanas num país em que já se lê pouco em português, quanto mais em inglês!

Já alguém dizia, a propósito do sucesso dos livros de Margarida Rebelo Pinto, que o que realmente interessa é que as pessoas leiam e não o que é que lêem. Será?

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

?!? Ex-Operacional da Al Qaeda apresenta livro de Rodrigues dos Santos

Eu sei que é uma notícia que vi no CM, razão pela o que se perde em qualidade ganha-se em exagero e sensacionalismo (embora uma breve busca pelo google revele resultados muito aproximados), mas será mesmo verdade que um ex-operacional da Al Qaeda vai estar presente na apresentação do próximo livro de José Rodrigues dos Santos?... Segundo o dito jornal, que contactou a Gradiva, Abdullah Yusuf foi contactado pelo jornalista/escritor para dar uma "mãozinha" no processo de pesquisa acerca do Islão radical. Escusado será dizer que o dito especialista «já terá estado com Ossama Bin Laden e planeou um atentado reivindicado pela rede terrorista».

Preconceitos à parte, parece-me um tanto ou quanto pouco interessante o convívio com Abdullah Yusuf, mais que não seja devido ao "pequeno" pormenor de ser um "ex-operacional da Al Qaeda" (trocado por miúdo: ex-terrorista).
Que tal personagem deve ter contribuído muitíssimo para a pesquisa de Rodrigues dos Santos não tenho dúvidas; que este seja o único especialista nesta matéria (ou pelo menos o mais indicado) é que considero duvidoso. 

Nem sei, ao certo, o que acrescentar... acredito pouco na regeneração, mas no final das contas esta circunstância é, no mínimo, exótica. Enquanto manobra publicitária (que não estou a afirmar que seja) parece-me muito up-to-date.
Em suma, nem sei se quero saber acerca do que será o próximo romance de Rodrigues dos Santos (não esta Fúria Divina, mas uma outra que já deverá estar a ser delineada) e quais os "amigos" a quem irá recorrer para o ilustrar acerca do tema em questão :]

Obrigada Jojo :)

Este não tem regras, na medida em que é um selo "mãos largas", vindo do blog Os Devaneios da Jojo. Obrigada :))


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A Minha Vida num Prato

Autor: India Knight
Título original: My Life on a Plate
Editora: Dom Quixote
Páginas: 240
ISBN:
9789722020206
Tradução: Alexandra Lopes

Sinopse: [da contracapa] A Minha Vida num Prato é um livro hilariante e comovente sobre as venturas e desventuras de uma mulher casada. Clara é uma heroína tão descomedida e despretensiosa que é impossível não gostar dela. Publicado no Verão de 2000, no Reino Unido, tornou-se em pouco tempo num sucesso editorial.

Opinião: Tenho tendência para desconfiar de livros que são considerados sucessos editoriais, nomeadamente quando se trata de uma história "comovente" sobre as peripécias de uma mulher casada. 
No entanto, Sue Townsend considerou-o "um livro cómico maliciosamente divertido e dolorosamente honesto", o que acabou por me convencer, em honra dos bons tempos de adolescência que passei a ler os Diários de Adrian Mole. Além disso, quando se vem de férias e o trabalho acumula, nada melhor do que uma história mais leve para ajudar na rentrée literária.

A sinopse é curta e pouco elucidativa de propósito. Contar a vida de Clara Hutt não tem graça - o melhor é ir lendo para se descobrir porque é que uma mulher de 33 anos, mãe de dois filhos (adoráveis, devo confessar) e casada com o homem quase perfeito (Robert trabalha na Vogue inglesa, o que o torna um homem muito mais sensível às questões "femininas", nomeadamente no que às "fofocas" e moda diz respeito) começa a pôr em causa a felicidade e a estabilidade que procurou a vida inteira.

O livro é uma espécie de cruzamento entre O Sexo e a Cidade, O Diário de Bridget Jones e Donas de Casa Desesperadas. A tradução é excelente, na medida em que as piadas não se vão perdendo com a barreira linguística. 
A história gira em torno do "nosso" eterno problema: o facto de considerarmos que queremos sempre para a nossa vida aquilo que não podemos ter e neste processo acabamos por não apreciar o que já conquistámos. 
É um livro que faz sorrir, porque é mesmo muito divertido, mas que não obriga a "pensar" excessivamente. Vale a pena por isso mesmo!
Classificação: Bom (7/10)

domingo, 18 de outubro de 2009

As contradições de Saramago?

Eu cá não sou de intrigas, mas havia mesmo necessidade?


Saramago, cujo estatuto (e, claro está, prémio Nobel) lhe permite [quase] tudo, considera que a sua interpretação da história de Caim e Abel (incluindo-se neste lote os leitores que subscrevem essa religião) não causará mossa na Igreja Católica. Justificação? Porque os católicos não lêem a Bíblia... Até aqui até percebo o argumento, embora não seja por se ler a Bíblia de uma ponta à outra que se é "mais católico" (em todos os sentidos).

Repito, não sou de intrigas, mas acrescentar que "a Bíblia é um manual de maus costumes" e que tem subjacente a imagem de um Deus cruel, invejoso e insuportável parece-me bastante ofensivo para essa Igreja Católica que (supostamente) não iria ficar incomodada.

Cada um acredita (ou não) no que quer e tem fé no que bem lhe aprouver. Que fique bem claro que não me mostro pessoalmente incomodada com as afirmações de Saramago. Acho é que não havia necessidade. Quer Saramago queira ou não, a Europa onde nasceu e que lhe deu oportunidade para dizer tudo o que lhe passa pela cabeça tem um estrato civilizacional profundamente cristão. Quanto a isso não há nada a fazer. O cristianismo (e todas as Igrejas que se foram instituído ao longo de séculos (sendo, claro está, a Católica a mais proeminente) deixou marcas profundas que ainda hoje subsistem - rituais, pensamentos mágicos, feriados, festas populares e muita História, quer se goste dela ou não. 
Não é por ser católica ou deixar de ser que me insurgi contra as afirmações de Saramago. Até concordo quando afirma que "Deus só existe na nossa cabeça". Só me confunde a guerra que compra contra a Igreja, quando, mais uma vez repito, não havia necessidade; ofende a quem sentir que tem razões para isso e perde os leitores mais crentes que até se podiam ter deixado iludir pela alusão a Caim no título do seu livro.

sábado, 17 de outubro de 2009

João Tordo vence Prémio José Saramago


O escritor João Tordo venceu a sexta edição do Prémio Literário José Saramago com o romance "As Três Vidas", editado pela Quid Novi, anunciou hoje, sábado, em Penafiel, fonte da Fundação Círculo de Leitores. JN


Aqui está o link para a entrevista que o autor deu à LER...



...e aqui fica a sinopse do livro: 
Quem é António Augusto Millhouse Pascal? Que segredos rodeiam a vida deste homem de idade, que se esconde do mundo num casarão de província, acompanhado de três netos insolentes, um jardineiro soturno e uma lista de clientes tão abastados e vividos, como perigosos e loucos? São estes os mistérios que o narrador, um rapaz de uma família modesta, vai procurar desvendar não podendo adivinhar que o emprego que lhe é oferecido por Millhouse Pascal se irá transformar numa obsessão que acabará por consumir a sua própria vida. Passando pelo Alentejo, por Lisboa e por Nova Iorque em plenos anos oitenta - época de todas as ganâncias - e, desvendando o passado turbulento do seu patrão - na Guerra Civil Espanhola e na Segunda Guerra Mundial -, As Três Vidas é uma viagem de autodescoberta através do «outro». Cruzando a história sangrenta do século XX com a história destas personagens, este romance é também sobre a paixão do narrador por Camila, a neta mais velha de Millhouse Pascal, e sobre a procura pelo destino secreto que a aguarda; que estará, tal como o do seu avô, inexoravelmente ligado ao destino de um mundo que ameaça, a qualquer momento, resvalar da estreita corda bamba sobre a qual ela se sustém.

Biblioteca digital comunitária lançada hoje

É a era digital (mas desta vez a notícia é boa, pelo menos para estimular a cidadania e a ideia de Europa; as licenciaturas de Estudos Europeus, presumo, também agradecem).

Diz o Diário de Notícias:

A União Europeia vai lançar hoje, na Feira do Livro de Frankfurt, uma biblioteca digital que reúne todas as publicações editadas desde 1952 pelas instituições europeias, agências e organismos comunitários.
A biblioteca digital do Serviço de Publicações disponibilizará gratuitamente, através da digitalização de 12 milhões de páginas, mais de 110.000 publicações da União Europeia para descarregamento.
Todos os anos são lançadas cerca de 1.600 novas publicações na UE que estarão acessíveis em www.bookshop.europa.eu.
De acordo com o executivo comunitário, a biblioteca é "uma fonte preciosa de informação em aproximadamente 50 línguas para cidadãos, jornalistas, profissionais da educação, estudantes, bibliotecários, editores e todos aqueles que se interessam pela Europa, oferecendo também a possibilidade de encomendar exemplares impressos". DN

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

“A Sala Magenta” de Mário Carvalho vence Prémio Fernando Namora


Depois de ter vencido o Prémio Fernando Namora em 1996, Mário Carvalho "does it again". Segundo Vasco Graça Moura, presidente do jurí, a escolha deveu-se [à] elevada qualidade estilística e narrativa [da] obra e [à] humanidade do olhar que [o autor] lança sobre o universo da criação artística e da existência”. Público 

A Sala Magenta - Sinopse
Gustavo podia fazer um pequeno catálogo das mulheres que tinha tido, mas outro ainda maior das que o tinham rejeitado, conseguia ser uma alma compassiva e comovida, mas não era capaz de perdoar as rejeições acumuladas ao longo da vida. A ligação com Maria Alfreda percorrera toda a escala de sofrimentos e vexames, num desgaste constante, que o havia esgotado, para corresponder às suas paradas e evitar sentir-se diminuído ao lado dela. Partilharam momentos de amor, de raiva, de luta, de ironia, de crueldade, de arrebatamento e regelo naquela sala de tons magenta, num conchego alcatifado. São duas personagens que, à semelhança de todas as outras, ao longo do romance, manifestam um desaire em relação ao tempo vivido e convivem com projectos falhados.

Alice Vieira nomeada para o prémio internacional Astrid Lindgren

Os resultados só serão conhecidos no dia 24 de Março, mas já foi anunciado que Alice Vieira está na lista de nomeados para o prémio internacional de literatura infanto-juvenil, Astrid Lindgren Memorial Award (ALMA), atribuído pelo Conselho Nacional de Cultura sueco e com o valor aproximado de 500 mil euros.
Ao jornal Público, a escritora reagiu com humildade: “Nada de exageros. Eu fui nomeada, e mais 70 [escritores], espalhados pelo mundo inteiro. E são todos eles – pelo menos aqueles que eu conheço... – pesos-pesados... Por isso a nomeação já me deixa muito contente...".  
Só resta esperar pela divulgação dos resultados e, até lá, «fazer figas».

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Off-topic: Arqueólogos descobrem navio afundado na Baía da Horta

Perdoem-me estes devaneios, mas a História (e especialmente a marítima) é uma paixão difícil de contornar. Por isso, partilho a mais recente descoberta nesse domínio, conforme noticiado pelo DN:

Arqueólogos do Centro de História Além-Mar identificaram, na baía da Horta, Açores, "vestígios importantes" de um naufrágio de um navio inglês, envolvido no tráfego atlântico em finais do século XVII ou início do século XVIII.
 [...]
A equipa de arqueólogos encontra-se desde Abril a realizar trabalhos de salvaguarda, para minimização do impacte ambiental, na área de construção do molhe de protecção do terminal de passageiros do Porto da Horta, no Faial.
Os trabalhos permitiram identificar vestígios importantes de um naufrágio, dispersos por uma vasta área, dos quais se destacam cerca de quatro dezenas de dentes de elefante (marfim), quatro canhões em ferro, garrafas de vinho, copos em vidro, moedas, garrafas em grés de fabrico alemão ou inglês, armas de fogo e, entre outros, cachimbos em caulino.
[...]
Os navios britânicos operavam entre Inglaterra, África e as suas possessões ultramarinas, com escala técnica nas ilhas dos Açores, nomeadamente na Horta, onde efectuavam também actividades comerciais, envolvendo a troca de manufacturas por víveres e vinho do Pico, então exportado para a Europa e para as colónias inglesas na América Central e do Norte.
[...]
A exploração de marfim africano, a par do tráfego de ouro e escravos, assumia, neste contexto, particular importância, revelando os registos históricos que uma única campanha inglesa e portuguesa nos Camarões podia permitir a aquisição de 60 toneladas de marfim, envolvendo o abate de aproximadamente 2000 elefantes.

As Bibliotecas vão desaparecer?

Vai chegar o dia em que as Bibliotecas Municipais vão deixar de existir? Podemos estar a caminhar nesse sentido - a comercialização de equipamentos com capacidade para armazenar e-books já é um [mau] prenúncio -, pelo menos é o que adverte o artigo do NY Times intitulado "Libraries and Readers Wade Into Digital Lending
Segundo o jornal norte-americano, são mais de 5 mil as bibliotecas públicas daquele país que disponibilizam empréstimos de obras on-line (embora confesso que não faço a mínima como é que se resolve o problema da devolução; presumo que continuem a existir direitos de autor a preservar). A chegada da era digital ao espólio bibliotecário é justificada pela tentativa de alterar a percepção que se tem da Biblioteca enquanto espaço físico. Diz o director de informação e tecnologia da Biblioteca Pública de Boston [o que não quer dizer que tenha razão] que as pessoas vêem as bibliotecas como lugares poeirentos, onde os livros se amontoam, cheios de pó, nas prateleiras. 

Desculpem se sou old fashion, mas, meus amigos, que perfeito disparate! Talvez os meus filhos não venham a ter o prazer que é folhear (efectivamente) um livro (que quanto mais antigo for melhor). Talvez se perca o prazer de saber se o livro é novo ou velho só pelo cheiro. No entanto, não tendo eu nascido na geração Ipod, reivindico os meus direitos de ler em papel, de comprar livros em livrarias e de fazer requisições NAS biblioteca.

Ainda Alice

Autor: Lisa Genova
Título original: Still Alice
Editora: Caderno
Páginas: 320
ISBN: 
9789892304014


Sinopse: O mundo de Alice é perfeito. Professora numa conceituada universidade, é feliz com o marido, os filhos, a carreira. E tem uma mente brilhante, admirada por todos, uma mente que não falha… Um dia, porém, a meio de uma conferência, há uma palavra que lhe escapa. É só uma palavra, um brevíssimo lapso. Mas é também um sinal de que o mundo de Alice começa a ruir.
Seguem-se as idas ao médico e, por fim, a certeza de um diagnóstico terrível. Aos poucos, Alice vê a vida a fugir-lhe. Amada pela família, unida à sua volta, é ela que se afasta, suavemente arrastada para o esquecimento, levada pela Alzheimer.
Ainda Alice é a narrativa trágica, dolorosa, de uma descida ao abismo, o retrato de uma mulher indomável, em luta contra as traições da mente, tenazmente agarrada à ideia de si mesma, à memória de uma vida e de um amor imenso. 


Opinião: Lisa Genova é uma neurocientista doutorada em Harvard, o que não confere a este seu primeiro romance um cariz científico. Antes pelo contrário, considero que Ainda Alice, que recebeu o Prémio Brontë 2008, é um relato profundamente comovente acerca de uma doença tão temida e desconhecida como a de Alzheimer.
Está lá tudo: os primeiros sintomas, as primeiras desculpas que desvalorizam as esporádicas perdas de memória, a confrontação com uma realidade que, numa primeira fase, não se quer aceitar, o choque, a desarticulação das rotinas familiares, a revolta e, posteriormente, a aceitação e conformação.

No entanto, Ainda Alice também comporta uma mensagem de esperança, nomeadamente para aqueles que conhecem mais de perto uma doença tão destrutiva como esta. 
É notório ao longo da narrativa que Alice luta contra a perda da sua identidade, pois o que está em causa é a relação entre história e memória (a de cada um), tornando-se evidente que é a capacidade que temos de nos lembrar das pessoas, dos sítios e das múltiplos acontecimentos que vivemos que nos permite ser o que somos e quem somos. 
O que mais gostei neste livro foi o facto de Alice humanizar um fenómeno tão avassalador, perante o qual todos nós sentimos um certo temor - não consigo sequer imaginar (embora o livro tenha esse objectivo) o que sente alguém que de um momento para o outro não sabe onde está, se conhece determinada pessoa com quem viveu durante anos ou o que não se lembra o que acabou de ler há um minuto (ou mesmo segundos) atrás, ou mesmo que leu de todo.

Não é um romance "lamechas". Nada disso! Lisa Genova revelou-se uma escritora muito hábil e transformou um assunto árido numa história acessível a todos. É um alerta, porque Alice não deixou de ser quem era só porque sofria de uma doença neuro-degenerativa; passou a ser, simplesmente, uma pessoa diferente. 
O livro lê-se de uma assentada, se houver tempo para isso.
Classificação: Bom (8/10)

Uni. Nova de Lisboa - Conferência Literacia Informacional na era Google

E aqui fica mais uma sugestão:

Conferência Literacia Informacional na era Google: da necessidade às parcerias, da biblioteca-espaço aos novos horizontes - 23 OUT., 18H, Auditório 2, Torre B, 2º Piso. Mais informações

Colóquios na FLUL: porque as leituras também se fazem com História

Entre 15 de Outubro e 10 de Dezembro, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, organiza uma série de colóquios, uns mais relacionados com a literatura do que outros. Mas, como o saber nunca ocupou lugar, aqui fica a sugestão:
  • A Imagética de uma Nova Humanidade – representações e construções identitárias no tempo e no espaço - 15 a 17 OUT.
  • Poder Temporal/Poder Espiritual: As relações Igreja-Estado no Tempo da República (1910-2009) - 15 e 16 OUT. 
  • Aesthetics of emotion: worlds of affects, books of experience / Estética das Emoções: Mundos de Afectos, Livros de Experiência - 26 e 27 OUT.
  • ACT 22 International Conference: Going Caribbean! New Perspectives on Caribbean Literature and Art - 2 e 3 NOV.
  • Paulo de Tarso: Grego e Romano, Judeu e Cristão, no âmbito das comemorações do Ano Paulino - 5 e 6 NOV.
  • Post-Racial America – Has the USA Moved Beyond the Race Issue? - 6 a 13 NOV.
  • From Sea to Sea: a Week of Canadian Culture in Lisbon - 18 a 20 NOV.
  • Memória e Sabedoria - 9 e 10 DEZ.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Novo livro de José Rodrigues dos Santos: será que é desta?

A Gradiva anunciou que o lançamento nacional do próximo livro de José Rodrigues dos Santos será no dia 24 de Outubro, no Centro Comercial Colombo, pelas 17h.

Para já só se conhece o nome, Fúria Divina (muito ao estilo de Dan Brown, devo acrescentar, o que não ajuda ao meu entusiasmo), mas aguardo ansiosamente pelo desvendar do conteúdo.

Será que é desta a escrita de José Rodrigues dos Santos amadurece e se emancipa do emaranhado de factos históricos VS personagens lineares? Espero sinceramente que sim! A literatura portuguesa contemporânea (com laivos de "histórica") agradecia (e eu também, porque depois de O Codex 362 e de A Vida Num Sopro começo a estar "vacinada" contra a falta de sensibilidade de Rodrigues dos Santos no que toca a "encher chouriços" com factos históricos).

Perdoem-me os fãs... Nem só de Livros Favoritos vivem as nossas "excursões [literárias] mentais".

Quem Quer Ser Bilionário?

Autor: Vikas Swarup
Título original: Q & A: A novel
Editora: Edições ASA
Páginas: 304
ISBN: 9789724148731

Tradução: Teresa Curvelo

Sinopse: Por que está Ram, um pobre empregado de mesa de Bombaim, na prisão?
a) Esmurrou um cliente
b) Bebeu demasiado whisky
c) Roubou dinheiro da caixa
d) É o vencedor do maior prémio de sempre de um concurso televisivo
A resposta certa é a alínea d).
Ram foi preso por responder correctamente às doze perguntas do concurso televisivo Quem Quer Ser Bilionário?.
Porque um pobre órfão que nunca leu um jornal ou foi à escola não pode saber qual é o mais pequeno planeta do sistema solar ou o título das peças de Shakespeare. A não ser que tenha feito batota.
Mas a verdade é que foi a própria vida a fornecer-lhe as respostas certas às doze perguntas cruciais. Desde o dia em que foi descoberto num caixote do lixo que Ram revela instintos de sobrevivência infalíveis e aparatosamente criativos. Espantando uma audiência de milhões, serve-se dos seus conhecimentos de rua para arranjar respostas não só para o concurso televisivo mas também para a própria vida.
Na história do jovem Ram concentra-se toda a comédia, a tragédia, a alegria e a amargura da Índia moderna.


Opinião: Não vou recorrer ao típico lugar comum "o livro é melhor do que o filme" (digo típico lugar comum porque faço parte daqueles que preferem ler o livro primeiro e ver o filme depois). Neste caso concreto não faço ideia se o livro é melhor ou pior do que o filme: não fui ao cinema nem aluguei o DVD, por opção. Pessoalmente, pelo que li e, principalmente, pelas conversas que fui tendo com quem tinha visto o filme (a não perder, por sinal, pois arrasou nos Óscares), já depois de ter lido o livro, apercebi-me de que não valia a pena estragar a "magia" - Slumdog Millionare inspirou-se na obra de Vikas Swarup , mas de longe será uma adaptação.
No entanto, o filme proporcionou-me a oportunidade de ler Quem Quer Ser Bilionário? - de outro modo, a obra ter-me-ia passado completamente ao lado. O que era lamentável!
Não tenho nada contra a produção de filmes baseados em obras literárias (antes pelo contrário, mais que não seja pelo facto de lhes darem enorme visibilidade) ou contra Danny Boyle. A questão incontornável é que me parece que a obra de Vikas Swarup só faz sentido como ele a idealizou, com todos os capítulos, personagens e acontecimentos.

Nunca fui à Índia e conheço mal a cultura indiana. Nunca vi o subúrbios de Mumbai, mas o nosso olhar eurocêntrico diz-nos que aquele é um país de dicotomias, de fossos sociais, de riqueza e pobreza extremas. Também é assim a Índia de Swarup, que na sua obra reforça essas desigualdades e nos dá a conhecer que nessa parte do mundo se sobrevive mais do que se vive.
O título original, Q & A - Questions and Answers -, sintetiza o fio condutor. Ram, um simples empregado de mesa, consegue o impensável: responder a todas as perguntas de um concurso de televisão e tornar-se mais rico do que alguma vez imaginou poder ser. 
Mais do que transmitir a ideia de que o ser humano não se deve acomodar à vida que tem (o que na cultura indiana tem algum peso, nomeadamente no que diz respeito à asfixia provocada pelo enraizamento do sistema de castas), esta obra relembra-nos da velha máxima "não há melhor escola do que a vida".


Dito isto, e porque é por demais evidente que ADOREI o livro (além de que não gosto de spoilers, por isso não vou "esmiuçar" mais), só me resta acrescentar: LEIAM.
Se tiverem visto o filme melhor ainda; sempre me podem dizer se fiz bem em não ver para não "quebrar o encanto".

Classificação: 8/10 (Muito Bom)