segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Entrevista a Haruki Murakami (Jornal I)


O escritor japonês «do momento» deu uma entrevista à editora portuguesa que o divulga entre nós, a Casa das Letras. Para ler no Jornal I.

«Haruki Murakami gosta de escrever e gosta de correr - o seu novo livro, "Auto-retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo", publicado este mês em Portugal, é prova disso mesmo. Apesar de não cultivar o isolamento de outros autores, também gosta de se fechar em casa a ler livros e a ver episódios da série "Perdidos" (gravados precisamente na ilha de Kauai onde escolheu viver partes do ano). O que não gosta é de responder a perguntas: "O autor deve ser a última pessoa a falar sobre a sua obra", justifica. Arrancar-lhe uma entrevista é, portanto, uma raridade: "Haruki está concentrado a escrever o novo romance e não tem aceitado dar entrevistas. Mas como este é um pedido especial, ele quis colaborar", explicou por email Yuki Katsura, a assistente, avisando ainda que Murakami não teria tempo para respostas longas. Em relação ao novo romance, "1Q84", que acabou de ser publicado no Japão, Murakami disse à sua tradutora (aqui na pele de entrevistadora) que quer vê-lo em português: "E espero que seja aceite calorosamente (com fervor, de preferência). Espero ainda visitar o vosso país numa próxima ocasião".»

José Emilio Pacheco ganha Prémio Cervantes



O poeta e ensaísta mexicano José Emilio Pacheco foi hoje galardoado com o Prémio Cervantes, o mais importante das letras hispânicas, criado em 1975 com o objectivo de distinguir um escritor que, pelo conjunto da sua obra, tenha contribuído para enriquecer o legado literário hispânico. O valor do prémio ronda os 125 mil euros.
A decisão do júri foi anunciada pela ministra da Cultura espanhola, Ángeles González-Sinde, em conferência de imprensa. Ler mais aqui e aqui.

José Emilio Pacheco nasceu na cidade do México, em 1939. Figura central da vida literária e cultural do seu país, abraçou, além da prosa, outros ramos da escrita, como a poesia, o ensaio e a tradução, tendo igualmente trabalhado como editor de colecções bibliográficas, diversas publicações e suplementos literários.
Recebeu ao longo da sua carreira alguns dos mais prestigiados prémios literários, de que se destacam, entre outros, o Prémio Nacional de Linguística e Literatura, o Prémio Ibero-americano Pablo Neruda, o Prémio Internacional de Poesia e Ensaio Octavio Paz, o Prémio Xavier Villaurrutia e o Prémio Internacional Federico García Lorca.


Está traduzida para português a obra "As Batalhas no Deserto", publicada pela Oficina do Livro.
Sinpose: Uma história de amor impossível que vendeu mais de meio milhão de exemplares só no México. Esta é a história de amor impossível, narrada numa obra que ainda guarda espaço para abordar temas como a corrupção social e política, a modernização do México ou o desaparecimento do país tradicional.
Ao mesmo tempo que vai resgatando memórias de uma cidade que ama intensamente - mas que aqui recria sem nostalgia e denuncia de uma forma implacável -, através do amor de Carlitos, o autor aprofunda a cumplicidade com os leitores, numa linguagem simples, depurada, comovente e aberta a várias leituras e interpretações. Traduzida em inúmeras línguas, só no México As batalhas no Deserto vendeu mais de meio milhão de exemplares.

Últimas aquisições

Não tenho por hábito comprar livros tão perto do Natal, mas quando vou a uma feira do livro  (mais especificamente a que está a decorrer até dia 8 de Dezembro na Gare do Oriente) acabo (quase) sempre por não resistir à tentação. Além disso, com a leitura conjunta quase a começar precisava mesmo de comprar o livro!

"As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Alice do Outro Lado do Espelho", de Lewis Carroll. 

Sinopse: É um dos mais extraordinários contos de fadas de sempre, onde a imaginação reina como senhora absoluta, o absurdo e o nonsense delirante dominam e onde tudo é possível. O Coelho Branco, o Gato de Cheshire, a Lebre de Março, o Chapeleiro Maluco, a Rainha de Copas…e, claro, Alice…Quem não se lembra das personagens que Lewis Carroll imortalizou e que fazem parte do imaginário de várias gerações?
Esta edição contém ainda as ilustrações de John Tenniel que acompanharam as primeiras edições de ambos os livros. Alguém leu? Opiniões são muito bem-vindas!

"Orbias - As Guerreira da Deusa, de Fábio Ventura"

Sinopse: Quem disse que as raparigas não conseguiam ser sensuais e fortes ao mesmo tempo?
Noemi é fã de cinema e séries de acção e aventura. Mas nunca imaginou que ela própria faria o papel de uma dessas personagens que de um momento para o outro vêem a sua vida normal dá uma volta de 180 graus. De uma forma pouco ortodoxa, descobre que é um Anjo, uma Guerreira ancestral renascida e que, numa dimensão paralela à da Terra, existe um mundo mágico regido por uma Deusa – Orbias.
Mas Noemi não terá apenas de lidar com os seus novos poderes e responsabilidades. Terá também de se confrontar com os perigos e emoções aos quais não estava habituada, especialmente um sentimento em relação a Sebastian, um orbiano sedutor… Conseguirá ela superar a sua fragilidade e conflitos interiores para salvar os dois mundos da destruição?
Orbias é uma aventura fantástica repleta de acção, sensualidade, personagens e cenários surreais, humor e magia. Uma obra essencial para quem gosta de uma história cheia de surpresas e fantasia moderna.

domingo, 29 de novembro de 2009

(Off topic) Disney cria a primeira princesa negra


Os desenhos animados mais universais de sempre acompanham os novos tempos. Um ano depois de ter sido eleito o primeiro presidente afro-americano nos EUA, chega a primeira princesa negra à Disney.

A Tiana é uma jovem princesa de origem africana que tem o sonho de abrir um restaurante em New Orleans, a capital do Jazz. Trata-se da primeira princesa negra criada pela Disney e surge no novo filme de animação “The Princess and the Frog” (A Princesa e o Sapo), que se estreia este mês.

Depois de Ariel, Jasmine ou Cinderella, eis que surge Tiana. Desenhada à mão pelos criativos da Disney, esta nova princesa já causou alguma polémica nos EUA. Em Abril deste ano, o filme foi acusado de ser preconceituoso porque a protagonista começou por se chamar Maddy, nome parecido com Mammy, com que os americanos se dirigiam às escravas. A Disney também foi acusada de se ter aproveitado da obamania, apesar de o projecto ter sido iniciado muito antes da eleição de Barack Obama.
A famosa apresentadora Oprah Winfrey dá voz a uma das personagens secundárias do filme, mas Tiana é interpretada por Anika Noni Rose. Já o príncipe por quem Tiana se apaixona é interpretado pelo brasileiro Bruno Campos. Ler mais aqui / Ver vídeo aqui

Secretárias revelam os segredos em «Estou pelos Cabelos!»

No mínimo é um livro interessante para todos aqueles (especialmente aquelas) que são «secretárias» de profissão. Ainda assim, parece ser divertido e uma boa oportunidade para se conhecer os bastidores do mundo empresarial. Fica a sugestão.

«Estou pelos Cabelos!», de Katharina Münk - Editora Gestão Plus
«É verdade, chegou a hora de todas as revelações!
Nos últimos tempos, têm-se tornado bem conhecidos os excessos financeiros de alguns directores de empresa; mas ninguém conhece tão bem as suas histórias quanto as mulheres que reservam os seus hotéis e viagens, que justificam os seus atrasos, que inventam desculpas para as suas faltas, que compram presentes de anos para os seus colegas e para a sua família, que lhes vão buscar o cafezinho, que lhes lembram das obrigações, que lhes organizam as vidas… as suas incansáveis secretárias!
Hoje em dia, ser secretária tem pouco a ver com aquela figura de glamour e alguma inércia do passado; as assistentes de direcção de hoje são verdadeiros Blackberrys vivos, uma espécie de IPhone que nunca se desliga, especialistas em flexibilidade e polivalência, com um toque de criatividade à mistura.
Neste livro, best-seller em toda a Europa, Katharina Münk reúne algumas das histórias mais reveladoras, cómicas – e surpreendentes – do que fazem os directores… e o que fazem as suas fiéis secretárias para corrigir os seus erros! Um livro absolutamente imperdível para todos os habitantes de um escritório.
Ela é a mulher que sabe como funciona uma direcção. É ela que convive, entre dez a doze horas por dia, com as exigências, os caprichos, as manias e os humores dos directores de empresas. Mantêm sempre a cabeça fresca, mesmo nas crises mais dramáticas, e conhecem todos os pormenores das suas vidas.
São as mulheres por trás do homem. São a chefia por trás dos chefes. A maioria é muitíssimo discreta, e só aos colegas mais próximos é que confidencia os pequenos defeitos do seu superior. Mas Katharina Münk decidiu romper o véu do silêncio e revelar tudo aquilo que testemunhou, directa e indirectamente, ao longo da sua extensa carreira como assistente de direcção. Nunca mais vai olhar para um director com os mesmos olhos…»


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Protocolo possibilita distribuição de milhares de livros nas comunidades portuguesas

Mais boas notícias no que diz respeito à difusão da cultura portuguesa além fronteiras.

Milhares de livros serão distribuídos nas comunidades portuguesas no âmbito de um acordo assinado hoje entre a Secretaria de Estado das Comunidades e a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, informou o gabinete do secretário de Estado.

No total serão distribuídas 400 mil obras de Literatura, História, Poesia, Teatro, Espistolografia, Filosofia, Ensaio e Critica, entre outros, às associações portuguesas no estrangeiro, nomeadamente gabinetes de leitura, leitorados e escolas portuguesas. Ler na RTP Notícias

O primeiro balanço da Bubok em Portugal





A Bubok é um projecto originalmente espanhol, que saiu da imaginação de Ángel María Herrera Burguillo. É um serviço de auto-publicação online que dá aos autores a  possibilidade de serem os seus próprios editores. Tudo é passível de ser publicado: poemas, romances, relatórios, ensaios, teses de doutoramento, receitas, manuais, memórias, guias, fotografias, ilustração, banda desenhada, etc. 

Os livros ficam à venda em https://bubok.pt. e  o autor arrecada 80% dos lucros.

Em Portugal já se publicaram cerca de 450 títulos em formato electrónico ou no sistema print-on-demand, desde finais de Junho.


A estante virtual tem actualmente em destaque a obra "Correr por Prazer - Já correu hoje?", escrito pelo maratonista Vítor Dias, pela enfermeira especialista em reabilitação Ana Maria de Freitas e pela nutricionista Filipa Vicente.

O que diz Alexandre Lemos, o country manager da Bubok para o território nacional:

"Desde finais de Agosto, inícios de Setembro, rondamos a média dos três novos livros publicados por dia, o que é, de certeza, um recorde nacional de publicação mas também um número bastante aceitável num contexto de autopublicação".

"Quanto aos downloads, temos tido um maior número nas publicações gratuitas. Essa ainda é a grande função do livro electrónico, não podemos ignorar. O número de pessoas a pagar pelo download é menos significativo".
Ler mais aqui e aqui.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"The Carrie Diaries" é a nova aposta da autora de "O Sexo e a Cidade"

 

Alguma vez imaginou como é que a Carrie Bradshaw era na adolescência? Remontar a uma época onde ainda não existem os famosos Manolos é o que propõe Candace Bushnell, num livro que será lançado a 27 de Abril de 2010, nos Estados Unidos, um mês antes da estreia da sequela do filme "O Sexo e a Cidade".

O livro promete desvendar como é que Carrie desenvolveu o seu «fashion sense» e como é que foi o seu primeiro amor.

Já existem apelos para transformar a vida desta Carrie teenager numa série de televisão. É esperar para ver, como se costuma dizer. Ler mais

Murakami inspirou-se em George Orwell para escrever «1Q84»


O escritor sensação do momento, Haruki Murakami, inspirou-se na obra de George Orwell no seu último romance, «1Q84» - em japonês, o número «9» é pronunciado como a letra inglesa «Q».
O livro tem dois volumes (ao todo são 1055 páginas) e conta uma história passada em Tóquio, no ano de 1Q84. No Japão, onde foi publicado em Maio, já é (mais) um sério caso de sucesso.





Numa entrevista recente, Murakami falou sobre a diferença entre o seu romance e o de Orwell.
«1984 era um romance sobre o futuro próximo. Eu quis escrever alguma coisa oposta a isso, um romance sobre o passado recente que mostrasse como as coisas poderiam ter sido», explica Murakami.
«Isso é algo que poucas pessoas fizeram. Eu tinha essa sensação de que queria recriar o passado, em vez de reproduzi-lo. Questiono-me sempre sobre se o mundo em que estou é o real. Em algum lugar em mim, acho que há um mundo que pode ser diferente deste».
Ao ser questionado sobre se tinha sonhos tão complexos quanto os que descrevia nas suas histórias, Murakami diz que raramente sonha. Ler mais

Fotobiografia de Camilo Castelo Branco hoje lançada em Famalicão


Desconfio que quero... e muito!  

Agora já é possível viajar através dos locais por onde passou Camilo Castelo Branco, ver os seus amigos ou ler os recados que deixou, graças a uma fotobiografia, elaborada por Viale Moutinho, hoje lançada em Seide, Famalicão. Ler mais

São cerca de 600 as imagens que compõem a obra “Memórias Fotobiográficas de Camilo Castelo Branco (1825-1890)", o novo livro de José Viale Moutinho, que vai ser apresentado, pela primeira vez, na quinta-feira, dia 26 de Novembro, pelas 18h00, na Casa de Camilo, em S. Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão. Entre fotografias, retratos, desenhos e documentos que testemunham a vida do grande romancista Camilo Castelo Branco, o autor traça o percurso de uma vida “extraordinariamente infeliz, que não podia acabar como a da maioria dos desgraçados”, como indicam as palavras do próprio Camilo na abertura da obra.

Publicado pela Editorial Caminho, com uma tiragem de quatro mil exemplares, o livro é composto por mais de 400 páginas, incluindo algumas fotografias raras, como é o caso da foto tirada a 2 de Junho de 1890, dia seguinte ao suicídio de Camilo, que mostra o grande amigo do escritor Freitas Fortuna junto ao seu caixão na casa de S. Miguel de Seide. Referência também para alguns desenhos da autoria de prestigiados criadores como Júlio Pomar ou o Mestre José Rodrigues. A obra inclui ainda uma cópia do relatório de investigação judicial sobre o suicídio de Camilo.
Acima de tudo, esta obra é a homenagem a um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos, autor de romances intemporais como “Amor de Perdição” ou “A Queda de um Anjo”. CM Familicão

BN compra espólio de Luiz Pacheco

O direito de preferência e 12 mil euros foi quanto bastou para que a Biblioteca Nacional adquirisse, à leiloeira Otim Cum Dignitate, mais de cem documentos do escritor Luiz Pacheco, que incluem cartas, entrevistas e críticas literárias. 

Links com interesse:

Luiz Pacheco (1925-2008) nasceu em Lisboa. Frequentou o curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa que não concluiu, sendo admitido em 1946 como agente fiscal da Inspecção de Espectáculos e vindo a tornar-se terceiro oficial dessa instituição. Começa a publicar a partir de 1945 diversos artigos em vários jornais e revistas, de que se destacam O Globo, Bloco, Afinidades, O Volante, Diário Ilustrado, Diário Popular e Seara Nova. Em 1950, funda a editora Contraponto, onde publica escritores como Raul Leal, Mário Cesariny, Natália Correia, António Maria Lisboa, Herberto Hélder, Vergílio Ferreira, etc. Dedicou-se à crítica literária e cultural, ganhando fama como crítico irreverente. Denunciou a desonestidade intelectual e a censura imposta pelo regime do Estado Novo.

Obras: Carta-Sincera a José Gomes Ferreira (1958); O Teodolito (1962); Comunidade (1964); Crítica de Circunstância (1966); Textos Locais (1967); O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor (1970); Exercícios de Estilo (1971); Literatura Comestível (1972); Pacheco versus Cesariny (1974); Textos de Circunstância e Textos Malditos (1977); Textos de Guerrilha 1 (1979); Textos de Guerrilha 2 (1981); Textos do Barro (1984); O Caso das Criancinhas Desaparecidas (1986); Textos Sadinos (1991); Memorando, Mirabolando (1995). Prefaciou a Filosofia de Alcova de Sade (1969). Projecto Vercial

terça-feira, 24 de novembro de 2009

"Eu amo você" de Nilton chega às livrarias na próxima semana


Chega às livrarias mais um livro «bem disposto», que vai ser apresentado pelo próprio autor, Nilton, no dia 29, às 21h30, no Maxime. O lançamento está inserido num  espectáculo de stand-up comedy.

Sinopse
"Eu Amo Você" é uma obra de humor que disserta sobre todos em geral e os portugueses em particular. Pequenos pensamentos ou grandes ideias sobre o nosso dia-a-dia. Duzentas páginas de dúvidas de um autor que vive fascinado com a essência do ser português.
Porque é que antigamente uma criança que não parasse quieta era mal-educada e hoje é hiperactiva? Não precisa responder já, mas tenha também presente que não será aqui que vai encontrar a resposta. Este livro não irá melhorar em nada a sua vida, quando muito fará com que tenha ainda mais dúvidas sobre o mundo e essa raça que o habita, nós. Já agora, a crise manda-lhe um abraço e avisa que vai chover amanhã.

Auto-retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo

Autor: Haruki Murakami
Título original: HASRIHU KOTO NI TSUITE KATARU TOKI NI BOKU NO KATARU KOTO
Editora: Casa das Letras
Páginas: 186
ISBN: 9789724619231
Tradução: Maria João Lourenço

Sinopse: Em 1982, ao mesmo tempo que abandonava o lugar à frente dos destinos do clube de jazz e que tomava a decisão de se dedicar à escrita, Haruki Murakami começava a correr. No ano seguinte, abalançou-se a percorrer sozinho o trajecto que separa Atenas da cidade de Maratona. Depois de participar em dezenas de provas de longa distância e em triatlos, o romancista reflecte neste livro sobre o que significa para ele correr e como a corrida se reflectiu na sua maneira de escrever. Os treinos diários, a sua paixão pela música, a consciência da passagem do tempo, os lugares por onde viaja acompanham-no ao longo de um relato em que escrever e correr se traduzem numa forma de estar na vida.
Diário, ensaio autobiográfico, elogio da corrida, de tudo um pouco podemos encontrar aqui. Haruki Murakami abre o livro das confidências (e a sua alma) e dá a ler aos seus fiéis leitores uma meditação luminosa sobre esse ser bípede em permanente busca de verdade que é o homem. 

Opinião: Nunca tinha lido nada de Haruki Murakami e não sei se esta espécie de autobiografia foi a escolha mais acertada. Isso só saberei quando me aventurar num dos romances que tenho em standby na minha estante ("Sputnik, Meu Amor" e "Os Passageiros da Noite"). Decidi, pois, fazer o percurso inverso: conhecer primeiro o autor e depois a sua obra. Mesmo que não me venha a apaixonar pelos romances de Murakami, como tem acontecido com tantos leitores, já me dou por satisfeita por ter tido a oportunidade (e o privilégio) de conhecer um homem excepcional. Só por isso, valeu a pena.

Levo uma vida sedentária e já há alguns anos que não pratico desporto. No entanto, a corrida (e muito menos a de fundo) nunca me agradou, isto é, detesto correr, por muitas razões que não cabem aqui. Assim, parti para a leitura deste livro com alguns receios e esperei não me identificar de todo com o que ia encontrar pela frente. Mas não deixei que este «bloqueio» pessoal relativamente ao atletismo me impedisse de apreciar o que ia lendo.
É óbvio que subjacente a toda a narrativa está a corrida de fundo, mas este não é um manual para os corredores ou um tratado sobre a corrida. Murakami recorre ao acto de correr, que faz parte da sua vida há mais de 20 anos, para se definir enquanto homem e escritor. E isso faz toda a diferença. Este é um livro especialmente interessante para todos os leitores em geral, porque permite que se vislumbrem algumas das etapas do processo criativo que está por detrás da escrita. No 2º capítulo ("Como tornar-se um romancista com vocação para corredor de fundo"), Murakami explica como se tornou escritor, afirmando mesmo lembrar-se com precisão da data e da hora em que tomou essa decisão. São-nos dados a conhecer alguns pormenores do seu início de carreia, como se estivéssemos a ler uma espécie de «making of».

O livro faz todo o sentido porque para Murakami a corrida e a escrita são processos que se complementam, ficando a sensação de que o segundo não existiria sem o primeiro. Como um verdadeiro estilo de vida (já que o autor explica que não se identifica com a vida boémia e - por vezes - decadente de alguns escritores, que nesse modus vivendi procuram a sua inspiração), a corrida permitiu-lhe adquirir concentração, força de vontade, obstinação e método, elementos que considera fundamentais na escrita de um romance. Como para Murakami a escrita é um processo simultaneamente intelectual e físico, o exercício é-lhe essencial. Faz parte da sua vida e é quase tão importante como o próprio facto de estar vivo.

Este "Auto-retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo" dá a conhecer um homem profundamente honesto e sincero (por vezes até brutalmente sincero), que vive consoante objectivos previamente delineados e muito bem definidos. 
Ao contrário do que se possa imaginar (e mesmo tendo participado em inúmeras maratonas e triatlos), Murakami não é competitivo. Não lhe interessa a vitória ou ganhar aos outros. Só se quer superar a si próprio. Tendo-se esforçado até aos limites das suas forças e capacidades dá-se por satisfeito com o resultado final. Não poderia ser de outra maneira, pois um progressivo aperfeiçoamento, na corrida de fundo ou na escrita, não se coadunam com o processo irreversível que é o envelhecimento, com o qual, aliás, está pacificado.

Murakami quer continuar a correr até ser capaz - uma vontade que se estenderá, por analogia, ao domínio da escrita. Quer ser recordado como um escritor e corredor de fundo que nunca caminhou a passo. O resto, pouco lhe interessa, pois como acaba por confessar, sempre foi um solitário que se adaptou às circunstâncias de uma vida em sociedade.

Não posso deixar de referir que a tradução do livro é absolutamente notável, o que faz mais ainda mais recomendável esta edição. Foi, sem dúvida, das maiores surpresas literárias deste ano.
Classificação: Excelente (9/10)


Vale a pena espreitar o trabalho de Mike Stilkey



É um escultor de livros. Por muito intrigante e diferente que pareça a designação, o resultado final é absolutamente fantástico. Aqui ficam alguns dos exemplos, mas vale a pena espreitar o site do artista. Ler mais / Site oficial




Natal do Livro

Mais uma vez o Instituto dos Museus e da Conservação promove o Natal do Livro em todas as lojas dos Museus e Palácios Nacionais. Com bibliografia de referência nacional ao nível das artes plásticas, artes decorativas, arqueologia e etnologia, o público pode adquirir publicações com descontos que podem chegar até aos 90%. O público também tem à sua disposição um conjunto diversificado de produtos inspirados em peças do acervo dos Museus e Palácios Nacionais do IMC.
Até 31 de Dezembro.

Festa dos livros Gulbenkian 2009

De 26/11 a 23/12/2009
Todos os dias das 10h00 às 20h00
Loja do Museu Gulbenkian e
Livraria da Sede

Aqui podem encontrar-se todas as publicações editadas pela Fundação, a preços reduzidos. De par com os livros, há também objectos com a marca da Fundação e outras sugestões para a época natalícia.

Serão também apresentadas nove publicações produzidas durante este ano, sempre as 18h na Loja do Museu Calouste Gulbenkian: 

26 de Novembro (quinta-feira, abertura da Festa)
As Plantas na Saúde e na Cosmética
Apresentado por:  António Proença da Cunha/ Manuel Carmelo Rosa

4 de Dezembro (sexta-feira)
Paisagem e Erudição no Humanismo Português
Apresentado por: Rosado Fernandes/ Ana Maria Tarrío

10 de Dezembro (quinta-feira)
Revista Colóquio/Letras nº 172
Apresentada por: Nuno Júdice

11 de Dezembro (sexta-feira)
A Obra de Pedro Nunes e a Obra de Mira Fernandes
Apresentado por: Henrique Sousa Leitão e Nuno Crato

12 de Dezembro (sábado)
Catálogo da Exposição “Anos 70”
Apresentado por: Raquel Henriques da Silva/ Isabel Carlos

14 de Dezembro (segunda-feira)
‘Dark Matter: Poems of Space’
Apresentado por: Dame Jocelyn Bell Burnell/ Andrew Barnett

17 de Dezembro (quinta-feira)
O Tempo da Vida
Apresentado por: João Lobo Antunes / Jorge Soares

18 de Dezembro (sexta-feira)
História da Arte
Apresentado por: Fernando António Baptista Pereira/ Manuel Carmelo Rosa

19 de Dezembro
(sábado)
Loiças e Azulejos de Iznik na Colecção Calouste Gulbenkian
Apresentado por: João Castel-Branco Pereira

II Festa do Livro no Museu do Oriente

20 Novembro a 6 Dezembro
Todos os dias, excepto terça-feira, 10.00-18.00
Sexta-feira, 10.00-22.00

A II Festa do Livro do Museu do Oriente proporciona ao público a possibilidade de adquirir, a preços inferiores ao habitualmente praticado, os títulos que constam do vasto catálogo publicado pela Fundação Oriente e que são testemunho de duas décadas de edições. Trata-se de um conjunto de obras dedicadas ao estudo da presença da língua, cultura e história dos Portugueses na Ásia, de edições críticas de fontes históricas ou de traduções para chinês de textos relevantes da literatura e história portuguesas.

"Outono dos Livros" - Feira de edições da BNP


Grandes livros a pequenos preços. Livros de variados temas de história, literatura, história do livro, da ciência e das artes, e muitos outros, em catálogos e roteiros de exposições, bibliografias, guias e inventários, fac-similes e edições críticas, disponíveis a preços muito reduzidos durante três dias dedicados à difusão da vasta actividade editorial da BNP.

Uma oportunidade única para adquirir títulos publicados pela BNP até 2005, inclusive, com descontos que chegam a 80% do preço de capa, e qualquer edição posterior com 20% de desconto.  A iniciativa inclui um conjunto de edições Inapa.

Dias 25, 26 e 27 de Novembro, das 09h30 às 19h00. Livros entre 1, 3, 5 e 10 Euros.


Entretanto, podem aproveitar para visitar a exposição "Comboio dos Livros", também no edifício da BNP. Está patente até 31 de Dezembro, na Sala de Exposições do Piso 1. A entrada é livre, de 2ª a 6ª, das 13h às 19h e sábados das 10h às 17h.

No ano em que se completam 40 anos de vida da Biblioteca Nacional no actual edifício do Campo Grande, Duarte Belo mostra imagens da casa e dos livros, dos seus movimentos, formas e cores...

A exposição apresenta uma selecção do extenso trabalho fotográfico de Duarte Belo sobre as instalações, as colecções e as actividades da Biblioteca Nacional de Portugal, realizado ao longo dos dois últimos anos. 

Parte desse trabalho é igualmente apresentado num livro com o mesmo título, de edição conjunta da Assírio & Alvim e da BNP,  que será lançado no dia da inauguração da Exposição.

“Não é por acaso que a gíria da Biblioteca coloca os livros em 'comboios': a metáfora traduz como nenhuma outra o conceito físico da arrumação sistemática em grandes unidades colectivas ligadas em linha. Mas também simboliza, no melhor que a imaginação pode produzir, um mundo de ideias de movimento, viagem, partida, chegada, descoberta de novas paisagens, despedidas e reencontros... Cada 'comboio de livros' é, em si, uma promessa de múltiplos itinerários - em cada livro e para cada leitor – em diferentes eras, contextos, ocasiões. Mas o comboio é, também, representante de uma época de modernidade que, ainda presente, já é passado. Hoje, numa lógica de viajar completamente diferente, a Internet perturba o conceito secular de Biblioteca como organização alinhada, e em terra firme. Ultrapassando a fisicalidade do papel, transporta-nos para um universo de informação digital transmitida à velocidade da luz, onde – também não por acaso – viajamos, mas navegando. Saímos da dimensão contida de cada povoado, de cada cidade, de cada país, de cada continente, para mares onde se misturam as nações e as línguas, a uma escala planetária em que todos nos encontramos precariamente ligados. Também eles presentes nesse universo fluido, sem tempo nem espaço, os livros continuam, no entanto, a ser idealizados, impressos, distribuídos, disseminados e a ter um lugar à sua espera em qualquer carruagem de um 'comboio de livros' da Biblioteca.”

In : Comboios de Livros /Duarte Belo, Maria Inês Cordeiro.  Lisboa: Assírio & Alvim; BNP, 2009, pág. 13.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Exemplar da primeira edição de "A Origem das Espécies" esteve esquecido numa casa de banho inglesa


Parece anedota, mas é verdade! Vai ser leiloado amanhã, na Christie's,  um exemplar da primeira edição do livro em que Charles Darwin formulou a teoria da evolução das espécies, há 150 anos. O aspecto curioso é que esse exemplar esteve durante 40 anos na prateleira da casa de banho de uma família inglesa de modo a «entreter» os convidados que por lá tivessem que passar... A raridade foi identificada depois de um dos familiares ter identificado a lombada após ter ido a uma exposição sobre o famoso naturalista.
A leiloeira londrina espera que o livro atinja o equivalente a 66 mil euros, um valor que excede em muito as libras que os proprietários despenderam na compra que fizeram há tantos anos atrás. Ler mais

"30 Anos de Mau Futebol" tem lançamento previsto para 27 de Novembro



A Quetzal vai lançar no dia 27 de Novembro «30 Anos de Mau Futebol», de João Pombeiro e ilustrações de Pedro Vieira, uma obra que reúne as frases célebres do desporto rei no nosso país, como esta de Jorge Jesus: «Vocês os três… façam um quadrado!».

Sinopse: Uma fabulosa recolha das frases mais extravagantes do futebol português nos últimos trinta anos. Um anedotário onde figuram presidentes de clube como Pinto da Costa ou Sousa Cintra, treinadores como Artur Jorge, Octávio Machado ou Jaime Pacheco, jogadores como Paulo Futre ou João Pinto, e árbitros como Jorge Coroado ou Veiga Trigo. Tudo o que um dia tiveram coragem de dizer.

Já está em pré-lançamento aqui. PVP: 16€

Assírio & Alvim passará obras esgotadas a formato digital

Óptimas notícias as chegam da editora Assírio & Alvim, que ambiciona reeditar livros esgotados em formato digital. A editora espera ter o projecto em andamento em meados do próximo ano e o objectivo é proporcionar aos leitores o acesso a obras esgotadas - e especialmente aquelas que não tem qualquer intenção de volta a imprimir.
Ainda não se sabe que obras e autores farão parte deste projecto, mas de certo serão livros de ficção e de ensaio, já datados, e cujos custos de reimpressão não trariam o retorno desejado e não justificavam o investimento. Ler mais

A "História de Portugal" aposta na renovação de conceitos e numa nova abordagem historiográfica


A História de Portugal, editada pela Esfera dos Livros, actualiza conceitos e tenta estar mais próxima das novas maneiras de fazer e transmitir a História, nunca perdendo de vista o rigor, mas tentando ser o mais acessível possível, para que chegue ao grande público.
São quase 1000 páginas, reunidas num único volume, que incluem fotografias, mapas, cronologias, listas de chefes de Estado e de Governo, várias notas e bibliografia. 
A obra apresenta também um novo esquema cronológico, já que os diferentes períodos não são divididos consoante as várias dinastias ou os vários ciclos económico-sociais, que caracterizaram a historiografia da segunda metade do século passado. 

Sinopse: Rui Ramos, Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Monteiro, professores universitários da nova geração de historiadores apresentam a História de Portugal num só volume, da Idade Média ao século XXI. Numa narrativa clara e rigorosa os autores abordam os nove séculos da nossa história através das suas dimensões política, económica, social e cultural, dando uma visão integrada de cada época e momento histórico, colocando, ao mesmo tempo, a História de Portugal no contexto da História da Europa e do mundo. Com ilustrações a cores, mapas, cronologias e lista de governantes trata-se sem dúvida de uma obra de referência fundamental para compreender o passado e o presente num momento de grandes decisões e escolhas para o futuro de Portugal. 

Autores:
Bernardo Vasconcelos e Sousa é professor na Universidade Nova, autor de vários artigos e obras, entre elas, a biografia do Rei Afonso V e Linhagem da nobreza medieval portuguesa que lhe valeu um prémio da Academia de Ciências. 

Nuno Gonçalo Monteiro é investigador coordenador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e autor de várias obras, entre elas, D. José. Na sombra de Pombal. 

Rui Ramos é investigador principal do mesmo Instituto e autor de vários títulos, designadamente uma biografia do Rei D. Carlos e o sexto volume da História de Portugal dirigida por José Mattoso.  

PVP: 39€

domingo, 22 de novembro de 2009

Margarida Rebelo Pinto entrevistada a propósito do livro "O Dia Em Que Te Esqueci"


"O Dia Em Que Te Esqueci" é uma longa carta dedicada a uma antiga paixão e acaba por fechar um ciclo que a autoria havia iniciado em "O Diário da Tua Ausência".
A propósito deste novo livro, Marigarida Rebelo Pinto revela ao Correio da Manhã o que a levou a escrever esta longa missiva e quais são os outros escritores que lhe dão vontade de escrever. Ao nível pessoal, a escritora fala da sua infância, do modo como ultrapassou o AVC que sofreu, da vontade que ainda sente em ter mais filhos e do facto de ser de longe uma boa dona de casa. Ler mais aqui.

"A monarquia está de volta a Portugal" - Colecção Correio da Manhã

É de aproveitar a iniciativa do Correio da Manhã, que, em colaboração com a Academia Portuguesa de História, disponibiliza 34 livros sobre os 34 Reis que governaram até 1910. Ver mais aqui. 

Prefácio da Obra:
A colecção Reis de Portugal tem o propósito exclusivo de facultar ao grande público um contacto com a História de Portugal, através do conhecimento da vida e acção dos trinta e dois Reis e duas rainhas que lideraram o destino luso no tempo longo da monarquia.

Não se espere, pois, que os trabalhos publicados venham resolver problemas, porventura ainda em debate e com investigação em curso, já que não é esse o objectivo pretendido. Ao contrário, sustentados numa bibliografia séria e actualizada, mas que não pode esquecer a já considerada “clássica”, os autores pretendem unicamente, através de uma redacção acessível a todos e sem a carga da erudição traduzida em notas de rodapé, colocar nas mãos das portuguesas e dos portugueses um pedaço da sua história, que se estende da acção do primeiro rei até à deposição do último, ao qual se seguiu um modelo diferente de governo, mas igualmente importante na identificação de Portugal — a República.

Naturalmente, o primeiro livro da colecção oferece a figura de D. Afonso Henriques na sua luta pela construção e reconhecimento do Estado português, o que se fará recuando quase 900 anos para procurar acompanhar as acções que liderou, na complexidade das várias forças em presença no espaço ibérico. Assim sendo, há que interpretar a actuação do sucessor do conde D. Henrique no contacto com os domínios do imperador Afonso VII, para além das suas incursões na linha da Reconquista, na qual ambos queriam avançar. E neste processo procurámos afastar o “mito” do primeiro rei para, na medida do possível, descortinar o “homem” que, com as limitações humanas, mas uma vontade férrea, assumindo vitórias e derrotas, criou, tornando de pleno direito, o reino de Portugal. governo, mas igualmente importante na identificação de Portugal — a República.


Manuela Mendonça
Presidente da Academia Portuguesa da História


Calendário de Publicação



Data em Banca
1
D. Afonso Henriques + Sancho I
19 Nov
2
D. Afonso II + D. Sancho II
26 Nov
3
D. Afonso III+ D. Dinis
3 Dez
4
D. Afonso IV + D. Pedro I
10 Dez
5
D. Fernando + D. João I
17 Dez
6
D. Duarte + D. Afonso V
24 Dez
7
D. João II + D. Manuel
31 Dez
8
D. João III + D. Sebastião
7 Jan
9
Cardeal D. Henrique + Filipe I
14 Jan
10
Filipe II + Filipe III
21 Jan
11
D. João IV + D. Afonso VI
28 Jan
12
D. Pedro II + D. João V
4 Fev
13
D. José + D. Maria I
11 Fev
14
D. João VI + D. Pedro IV
18 Fev
15
D. Miguel + D. Maria II
25 Fev
16
D. Pedro V + D. Luís
4 Mar
17
D. Carlos + D. Manuel II
11 Mar

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

José Rodrigues dos Santos fala de «A Fúria Divina» em entrevista ao Diário Digital


Goste-se ou não, é o escritor sensação do momento. Nesta entrevista publicada no Diário Digital, José Rodrigues dos Santos explica como é que teve a ideia para este novo romance, do choque de civilizações, entre o Ocidente e o Islão e de como chegou à fala com Abdullah Yusuf, um ex-terrorista da Al-Qaeda.
Quando o jornalista lhe perguntou qual seria o tema central do seu próximo romance, Rodrigues dos Santos foi evasivo, mas a sua resposta deixa antever que já está a pensar nisso. A entrevista pode ser lida na íntegra aqui.





«O Código da Vinci» é o pior livro da década, diz The Times

Com o aproximar do final do ano é natural fazerem-se balanços, uns mais arrojados do que outros. O jornal The Times lançou-se na tarefa ingrata de reunir aqueles que podem ser considerados os 100 melhores livros da década. Mas, claro está, algo só pode ser muito bom se houver base de comparação e nestas coisas das listas há sempre tendência para dar a conhecer o reverso da medalha. O jornal não foi reuniu os 100 piores livros da década, o que, cá para nós, ia dar uma trabalheira monumental. Escolheu só 5, que podem, ou não, servir de base de análise para catástrofes literárias afim.

É neste contexto que «O Código Da Vinci» surge no 1º lugar da lista dos piores livros da última década. Já aqui disse que Dan Brown me entusiasmou muito mais no passado, mas depois de ter lido três dos seus livros não fico com a sensação de que privei intelectualmente com um autor que consegue a proeza de escrever o pior livro que li na vida, ou, como quem diz, nos últimos dez anos. 
A justificação do The Times é pobrezinha, condenando um dos livros mais vendidos nos últimos tempos em 4 linhas muito pequeninas. Traduzindo: o texto não presta e a introdução parece o início de uma história de um tablóide e não de um livro. Não é suficiente, digo eu, para que seja o pior dos piores livros. 

O segundo pior livro é «O Segredo», que, perdoem-me a falta de delicadeza, nem livro é, é um amontoado de paginas que dá (ou tenta dar) forma aquilo a que nos últimos tempos se tem dado a designação de «livro de auto-ajuda». 
Esta lista dos 5 piores livros dos últimos dez anos não me parece nada feliz, incluindo ainda, num honroso 3º lugar, o livro «Vernon God Little», que ganhou o Man Booker 2003, em virtude do humor negro com que relata a vida de um adolescente sarcástico, com uma mãe com problemas emocionais e uma melhor amiga que estrutura a sua vida em torno da comida. Não é suficiente para o The Times, que discorda com a atribuição do prémio.

É caso para perguntar: quem é que tem razão? O The Times ou os leitores que fazem de livros como «O Código de Da Vinci» um sério caso de record de vendas?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

(Off-topic) Pedro Múrias foi despedido do Rádio Clube Português

Não, Pedro Múrias não é escritor e, que se saiba, nunca pensou ser. É, ou melhor, ERA jornalista do Rádio Clube Português, muito bom, por sinal. Uma voz presente, com a qual eu, enquanto ouvinte, estabeleci alguns momentos de cumplicidade.
Em Dezembro de 2008, o Natal teve um sabor amargo: foi-lhe diagnosticado um cancro no recto. Não baixou os braços e não deixou de ser jornalista. Passou a colaborar no programa da tarde "Janela Aberta" com uma rubrica intitulada "Crónicas na Sala de Espera", na qual dava a conhecer aos que sempre gostaram de o ouvir o seu dia-a-dia enquanto doente de cancro, mas, acima de tudo, enquanto alguém que nunca baixou os braços e via sempre o lado positivo desta partida que a vida lhe tinha pregado.
É, portanto, com indignação que recebi a notícia do afastamento do RCP de Pedro Múrias, cuja ausência já se fazia sentir há algum tempo. É que sabem? Mudam-se os directores mudam-se os tempos e as vontades. O RCP já tinha perdido MUITO desde que se soube do afastamento de Luís Osório. Já não apreciei o facto de ter sido reformulada uma grelha de programação que era considerada por muitos ouvintes quase perfeita; agora se começam a despedir os colaboradores que faziam a diferença numa rádio que se queria diferente, então deixa de valer mesmo a pena sintonizar o 104.3 (Lisboa).

Os caminhos que vêm dar ao «Favourite Readings»

Inspirei-me no post "Servir de cupido", do blog (altamente recomendável) Alexandria, e reuni alguns dos critérios de pesquisa que reencaminharam várias pessoas do Google para o Favourite Readings. Alguns, no mínimo, são curiosos :) 

"Irmãos só por parte de pai são considerados meios irmãos ou não?"

"Novo catalogo do club penguin vexame no exame" (!?!?)

"Livros mais baratos" (todos queremos!)

"Nome loja tangerina Dan Brown"

"Super Chef PARTICIPANTES Bárbara" (como é que o Google reencaminhou para aqui é um mistério) 

"Em que lojas Tangerina decorreu a acção de lançamento, em parceria com a Bertrand, do mais recente livro de Dan Brown?" (critérios de pesquisa que nunca mais acabam...)

"Corrente literária de Jacquelyn Mitchar" (por cá fala-se pouco dessas coisas mais «sérias» e complicadas)

Um especial agradecimento a Ricardo Araújo Pereira, cujas Novas Crónicas da Boca do Inferno têm trazido a este espaço muitos leitores (por acidente, presumo).

Prémios Literários: Interallié e National Book Award


O escritor irlandês Colum McCann venceu o 60.º National Book Award, atribuído, em Nova Iorque, pela Fundação National Book ao seu romance «Let the Great World Spin», que ainda não foi traduzido para português. Ainda assim, é possível ler outras duas obras do autor, que já circula no mercado nacional desde 2001. Ler mais


Sinopse: Um camponês russo que se tornou numa lenda internacional, um exilado da Guerra Fria que inspirou a adoração de milhões, um artista cujo nome era sinónimo de génio, sexo e excesso. A magnificência da vida e do trabalho de Rudolf Nureyev é conhecida, mas agora Colum McCann, no seu mais ambicioso e ousado romance até à data, reinventa esta figura fortemente erótica através da luz que ele espalhou nas vidas daqueles que o conheceram (...) Escrevendo de uma forma absorvente, Colum McCann evoca o homem e reflecte sobre o mito. O resultado é uma monumental história de amor, arte e exílio.




Sinopse: Este romance traça a vida de Nathan Walker, que começamos por conhecer em 1916 cavando um túnel para o metropolitano por baixo do rio Hudson. Até ao final é-nos contada a história da Nova Iorque do século XX, a história das duas gerações seguintes da família Walker e descobrimos o segredo da existência sombria de Treefog, que agora vive nos túneis abandonados escavados por Nathan.
Entretecendo magistralmente a história dos dias de hoje com a do passado, Deste Lado da Luz é um romance profundamente tocante, impressionante e maravilhosamente escrito.





 Deste lado do Atlântico, Yannick Haenel, com o livro "Jan Karski", ganhou o Prémio Interallié 2009, o último da temporada em França. O romance centra-se na Resistência polaca ao nazismo que tentou alertar o Ocidente para o extermínio dos judeus. Ler mais

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Palavreado Inútil - Porque desabafar faz(me) bem

Há certas e determinadas coisas que só se tornam reais através do olhar dos outros. Não sei se será propriamente o caso do refúgio da minha outra personalidade: Palavreado Inútil. No entanto, ninguém no seu perfeito juízo se dá ao trabalho de construir um blog se não tiver como objectivo que ele seja lido pelos outros e é precisamente por essa razão que aproveito a relativa projecção do «Favourite Readings» para divulgar o «meu outro lado».
Falar sobre livros e literatura é das coisas que mais me prazer tem dado, mas a maior parte dos disparates que me passam pela cabeça ao longo do dia (e são alguns, acreditem) não cabem aqui. 
Não estou a pedir a ninguém que passe por lá. É um espaço mais destrutivo do que construtivo e instrutivo. É mais pessoal e serve o propósito de aliviar o peso daqueles que me ouvem a barafustar e contestar tudo e mais alguma coisa. É verdade que tenho feito por espalhar simpatia por todos os blogs por onde passo e tento receber o melhor que sei todos os leitores do «Favourite Readings» (que até foi eleito blog do mês - boa! consegui dizer sem me babar muito). Mas esta coisa da «simpatia» é resultado de um longo processo de aprendizagem ;) e lá no fundo todos temos mau feitio e pontos de vista muito próprios, por mais ingénuos e descabidos que sejam.
Estejam à vontade. E desculpem por ter feito um post em torno de uma coisa que, à primeira vista, parece ser flagrantemente narcisista.

Os bonecos de Pedro Couceiro


Numa entrevista ao Expresso, Pedro Couceiro, piloto de automóveis, conta como é que se lançou na aventura de escrever um livro de Banda Desenhada (em jeito de comemoração dos seus 20 anos de carreira).
Revela que sempre viveu rodeado de literatura e que há cerca de dois anos se apercebeu de que lhe faltava o livro para completar a trilogia "plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro". 

A história é sua, mas os desenhos são da autoria de Rui Ricardo e Hugo Jesus. Ficamos sem saber se Pedro Couceiro tem jeito ou não para o desenho, mas uma coisa é certa: revela ser um homem que dá muito mais importância à arte e à cultura do que aquilo que se poderia imaginar.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Afinal a economia não precisa de toda a gente...


Todas as manhãs, a caminho do emprego, tenho por hábito ouvir rádio (só durante uns minutos, porque tenho a sorte de não morar longe do meu local de trabalho). Normalmente, como dita a rotina, oiço o segmento de um conhecido comentador de assuntos relacionados com a Economia e Finanças e, regra geral, faço-o com agrado - em suma, não percebo grande coisa do assunto e aprecio quem me tenta trocar o dito «por miúdos». 
Hoje falava-se do desemprego que, pelos vistos, vai continuar a crescer (talvez até muito mais do que imaginamos) em 2010, embora a economia portuguesa tenha registado um crescimento acima do que se esperava (no último trimestre ou qualquer coisa desse género, mas eu sou de letras, por isso não sei).
Adiante... parece também que não são só pessoas não qualificadas que têm (infelizmente) perdido os seus empregos e cada vez mais surgem nessas estatísticas pessoas com formação superior e, nomeadamente, jovens recém licenciados. Até aqui tudo bem, porque, em última análise, o acesso ao ensino superior generalizou-se e o facto de se privilegiar em Portugal o ensino público faz com que a Universidade (e agora com Bolonha os mestrados) seja a etapa natural que se segue ao ensino obrigatório - do tipo, a licenciatura, como costumo dizer na brincadeira, é o novo 12º ano.
Tudo isto é mais ou menos do senso comum e não causa qualquer choque. Acontece e pronto. O que me levou a dissertar sobre esta questão foi o facto de o dito analista afirmar que se estatisticamente a maior parte dos desempregados com formação superior são da área de Letras é preciso reformular o sistema porque, e em jeito de citação, "a economia não precisa deles".

Contra mim falo, porque sou de Letras, sempre fui e continuo teimosamente a ser (é uma espécie de «amor à camisola»), embora esteja num emprego que interessa mais à economia (prestação de serviços e essas coisas giras). No entanto, não sou propriamente feliz e se me dessem a escolher preferia contribuir para o PIB de outra maneira. 

Não me parece plausível que se possa resumir a questão do desemprego dos jovens recém licenciados ao facto de não terem tido o discernimento de ingressar em cursos que realmente interessassem à economia. Com tantos milhares de jovens portugueses é de supor que tenham formações diversificadas e muitos deles até se decidem pelas áreas mais tecnológicas que dizem tanta falta nos fazer. No entanto, a cultura TEM QUE interessar à economia e para isso precisamos de muitos licenciados em Letras - e acreditem que há muito boa gente com vontade de trabalhar naquilo para que realmente estudou (eu, por exemplo) e poder viver disso. 

A economia, que mais parece um austero ditador no nosso dia-a-dia, precisa de todos nós, tenhamos nós formação em economia e gestão, engenharia, medicina, direito, jornalismo, história ou tantos outros cursos que por aí existem.

Aliás, é fácil para uma pessoa formada em Economia dizer que «os outros» não servem ao país: os intelectuais sempre transportaram o estigma de não produzirem matéria palpável e de não serem produtivos, não fosse a «produtividade» um conceito que nos persegue diariamente. No entanto, parece-me existir uma relação intrínseca entre a riqueza de um país e o seu nível cultural. A mim pouco me interessa viver num país economicamente interessante mas culturalmente pobre. Aliás, nos bons exemplos que existem por esse mundo fora há uma constante e se os senhores economistas se dessem ao trabalho veriam que nesses o nível cultural é proporcional à robustez do sistema produtivo.
Se a economia portuguesa não precisa de toda a gente então aí poderá estar um grande problema: enquanto país só vamos para a frente em conjunto e não podemos deixar de fora aqueles que num determinado momento específico já não servem, mas que poderão vir a dar imenso jeito no futuro, que espero que esteja bem próximo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Jem: A construção duma Utopia

Autor: Frederik Pohl
Título original: Jem: The Making of a Utopia
Editora: Gradiva
Páginas: 315
Tradução: Maria de Lurdes Medeiros 

Sinopse: A pouco mais de um século no futuro, o mapa geopolítico do mundo foi redesenhado segundo condicionalismos económicos já por nós conhecidos. Existe o bloco alimentar (Os Banhas: América, Rússia), o bloco petrolífero (Os Oleosos: Inglaterra, países árabes) e o Terceiro Mundo superpovoado (Os Ácocas: China, Paquistão). Agora, mais do que nunca, a pax atómica reina, e os blocos vivem no equilíbrio do terror sobre uma Terra esgotada. E eis que surge Jem, um planeta recém descoberto, onde é possível a vida humana. Um planeta infelizmente já habitado, pois nele vivem três espécies - uma aérea, uma terrestre e outra subterrânea. Espécies que se devoram umas às outras, no mais perfeito equilíbrio social e ecológico. Equilíbrio que só dura até aos humanos chegarem. 

Opinião: Este livro é 1979. Quer isto dizer alguma coisa? Certamente. Pohl criou um visão do que seria um futuro, não muito distante da data referida, onde os paradigmas da nossa «antiga» Guerra-Fria se encontram patentes, contudo, com algumas modificações, na medida em que a Rússia é aliada dos E.U.A e a Inglaterra inimiga deste último. Porquê? Por causa de algo que percorre o imaginário humano (e, diga-se, a realidade) há muito tempo: os recursos naturais. Numa Terra onde existem três blocos distintos, como a sinopse expõe, há uma constante batalha diplomática - até certa altura nunca militar, pois o potencial nuclear de cada um aniquilaria o outro - pela obtenção de mais faixas de terras internacionais para a obtenção de recursos. Equilíbrio precário que se mantém até à altura em que eles começam realmente a escassear.

Todavia, o Homem já tem a capacidade de fazer viagens espaciais de longa duração e a investigação espacial já caminhou tanto que já existe a hipótese de colonizar planetas. É assim que descobrem Jem (abreviatura de Geminorum), onde existem recursos ainda por explorar. Podíamos pensar: "Bem, assim sendo, eles juntam-se todos num esforço internacional conjunto e bora lá!". Errado!
A ideia era fazer de Jem uma sociedade bem mais organizada do que a existe na Terra, onde pudesse haver uma gestão integrada dos recursos, basicamente começar de novo. No entanto, cada bloco tem as suas ideias, cada um quer chegar lá o mais depressa possível, cada um quer o seu pedaço; melhor dizendo, quer o planeta todo só para si.

As primeiras expedições a serem enviadas são de cientistas. Cada bloco «fica» com uma espécie diferente e usam-nas para os mais diversos propósitos. Inicialmente combatendo contra elas, acabam por subjugá-las.

O resto, perdoem-me, mas terão realmente de ler, pois só assim tem piada ver os jogos diplomáticos terrestres e os seus intervenientes, os jogos de supremacia em Jem e, no final, já no último capítulo, a real construção de uma suposta Utopia.

Quando vi o Jem pela primeira vez, fiquei bastante cativado pelo sub-título, A contrução de uma Utopia. Pensei que poderia ser interessante - acho piada a estas coisas de utopias e datas posteriores à nossa - uma outra visão do futuro, misturando ficção cientifica. Lembrei-me logo de obras como o Admirável Mundo Novo ou 1984 (que recomendo vivamente, especialmente o segundo). Bem, em comparação, Jem é mais pobre. É uma obra cruel? Sim, sem dúvida. Irónica? Q.B. Amarga? O bastante. Inesquecível? Dou esta resposta daqui a 20 anos... No entanto, deve-se dar mérito a esta obra, na medida em que nos põe a pensar que, mesmo com as melhores intenções, os condicionalismos políticos, ideológicos, etc, fazem-se sentir sempre, tendo como consequeência, em Jem, o transporte da Guerra para um novo sitio, onde sempre tinha havido equilíbrio. Será que não nos livramos deste mal?!
Classificação: 6/10