terça-feira, 17 de novembro de 2009

Afinal a economia não precisa de toda a gente...


Todas as manhãs, a caminho do emprego, tenho por hábito ouvir rádio (só durante uns minutos, porque tenho a sorte de não morar longe do meu local de trabalho). Normalmente, como dita a rotina, oiço o segmento de um conhecido comentador de assuntos relacionados com a Economia e Finanças e, regra geral, faço-o com agrado - em suma, não percebo grande coisa do assunto e aprecio quem me tenta trocar o dito «por miúdos». 
Hoje falava-se do desemprego que, pelos vistos, vai continuar a crescer (talvez até muito mais do que imaginamos) em 2010, embora a economia portuguesa tenha registado um crescimento acima do que se esperava (no último trimestre ou qualquer coisa desse género, mas eu sou de letras, por isso não sei).
Adiante... parece também que não são só pessoas não qualificadas que têm (infelizmente) perdido os seus empregos e cada vez mais surgem nessas estatísticas pessoas com formação superior e, nomeadamente, jovens recém licenciados. Até aqui tudo bem, porque, em última análise, o acesso ao ensino superior generalizou-se e o facto de se privilegiar em Portugal o ensino público faz com que a Universidade (e agora com Bolonha os mestrados) seja a etapa natural que se segue ao ensino obrigatório - do tipo, a licenciatura, como costumo dizer na brincadeira, é o novo 12º ano.
Tudo isto é mais ou menos do senso comum e não causa qualquer choque. Acontece e pronto. O que me levou a dissertar sobre esta questão foi o facto de o dito analista afirmar que se estatisticamente a maior parte dos desempregados com formação superior são da área de Letras é preciso reformular o sistema porque, e em jeito de citação, "a economia não precisa deles".

Contra mim falo, porque sou de Letras, sempre fui e continuo teimosamente a ser (é uma espécie de «amor à camisola»), embora esteja num emprego que interessa mais à economia (prestação de serviços e essas coisas giras). No entanto, não sou propriamente feliz e se me dessem a escolher preferia contribuir para o PIB de outra maneira. 

Não me parece plausível que se possa resumir a questão do desemprego dos jovens recém licenciados ao facto de não terem tido o discernimento de ingressar em cursos que realmente interessassem à economia. Com tantos milhares de jovens portugueses é de supor que tenham formações diversificadas e muitos deles até se decidem pelas áreas mais tecnológicas que dizem tanta falta nos fazer. No entanto, a cultura TEM QUE interessar à economia e para isso precisamos de muitos licenciados em Letras - e acreditem que há muito boa gente com vontade de trabalhar naquilo para que realmente estudou (eu, por exemplo) e poder viver disso. 

A economia, que mais parece um austero ditador no nosso dia-a-dia, precisa de todos nós, tenhamos nós formação em economia e gestão, engenharia, medicina, direito, jornalismo, história ou tantos outros cursos que por aí existem.

Aliás, é fácil para uma pessoa formada em Economia dizer que «os outros» não servem ao país: os intelectuais sempre transportaram o estigma de não produzirem matéria palpável e de não serem produtivos, não fosse a «produtividade» um conceito que nos persegue diariamente. No entanto, parece-me existir uma relação intrínseca entre a riqueza de um país e o seu nível cultural. A mim pouco me interessa viver num país economicamente interessante mas culturalmente pobre. Aliás, nos bons exemplos que existem por esse mundo fora há uma constante e se os senhores economistas se dessem ao trabalho veriam que nesses o nível cultural é proporcional à robustez do sistema produtivo.
Se a economia portuguesa não precisa de toda a gente então aí poderá estar um grande problema: enquanto país só vamos para a frente em conjunto e não podemos deixar de fora aqueles que num determinado momento específico já não servem, mas que poderão vir a dar imenso jeito no futuro, que espero que esteja bem próximo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Jem: A construção duma Utopia

Autor: Frederik Pohl
Título original: Jem: The Making of a Utopia
Editora: Gradiva
Páginas: 315
Tradução: Maria de Lurdes Medeiros 

Sinopse: A pouco mais de um século no futuro, o mapa geopolítico do mundo foi redesenhado segundo condicionalismos económicos já por nós conhecidos. Existe o bloco alimentar (Os Banhas: América, Rússia), o bloco petrolífero (Os Oleosos: Inglaterra, países árabes) e o Terceiro Mundo superpovoado (Os Ácocas: China, Paquistão). Agora, mais do que nunca, a pax atómica reina, e os blocos vivem no equilíbrio do terror sobre uma Terra esgotada. E eis que surge Jem, um planeta recém descoberto, onde é possível a vida humana. Um planeta infelizmente já habitado, pois nele vivem três espécies - uma aérea, uma terrestre e outra subterrânea. Espécies que se devoram umas às outras, no mais perfeito equilíbrio social e ecológico. Equilíbrio que só dura até aos humanos chegarem. 

Opinião: Este livro é 1979. Quer isto dizer alguma coisa? Certamente. Pohl criou um visão do que seria um futuro, não muito distante da data referida, onde os paradigmas da nossa «antiga» Guerra-Fria se encontram patentes, contudo, com algumas modificações, na medida em que a Rússia é aliada dos E.U.A e a Inglaterra inimiga deste último. Porquê? Por causa de algo que percorre o imaginário humano (e, diga-se, a realidade) há muito tempo: os recursos naturais. Numa Terra onde existem três blocos distintos, como a sinopse expõe, há uma constante batalha diplomática - até certa altura nunca militar, pois o potencial nuclear de cada um aniquilaria o outro - pela obtenção de mais faixas de terras internacionais para a obtenção de recursos. Equilíbrio precário que se mantém até à altura em que eles começam realmente a escassear.

Todavia, o Homem já tem a capacidade de fazer viagens espaciais de longa duração e a investigação espacial já caminhou tanto que já existe a hipótese de colonizar planetas. É assim que descobrem Jem (abreviatura de Geminorum), onde existem recursos ainda por explorar. Podíamos pensar: "Bem, assim sendo, eles juntam-se todos num esforço internacional conjunto e bora lá!". Errado!
A ideia era fazer de Jem uma sociedade bem mais organizada do que a existe na Terra, onde pudesse haver uma gestão integrada dos recursos, basicamente começar de novo. No entanto, cada bloco tem as suas ideias, cada um quer chegar lá o mais depressa possível, cada um quer o seu pedaço; melhor dizendo, quer o planeta todo só para si.

As primeiras expedições a serem enviadas são de cientistas. Cada bloco «fica» com uma espécie diferente e usam-nas para os mais diversos propósitos. Inicialmente combatendo contra elas, acabam por subjugá-las.

O resto, perdoem-me, mas terão realmente de ler, pois só assim tem piada ver os jogos diplomáticos terrestres e os seus intervenientes, os jogos de supremacia em Jem e, no final, já no último capítulo, a real construção de uma suposta Utopia.

Quando vi o Jem pela primeira vez, fiquei bastante cativado pelo sub-título, A contrução de uma Utopia. Pensei que poderia ser interessante - acho piada a estas coisas de utopias e datas posteriores à nossa - uma outra visão do futuro, misturando ficção cientifica. Lembrei-me logo de obras como o Admirável Mundo Novo ou 1984 (que recomendo vivamente, especialmente o segundo). Bem, em comparação, Jem é mais pobre. É uma obra cruel? Sim, sem dúvida. Irónica? Q.B. Amarga? O bastante. Inesquecível? Dou esta resposta daqui a 20 anos... No entanto, deve-se dar mérito a esta obra, na medida em que nos põe a pensar que, mesmo com as melhores intenções, os condicionalismos políticos, ideológicos, etc, fazem-se sentir sempre, tendo como consequeência, em Jem, o transporte da Guerra para um novo sitio, onde sempre tinha havido equilíbrio. Será que não nos livramos deste mal?!
Classificação: 6/10

«Favourite Readings» é a escolha do mês de Novembro do (imperdível) blog «Página a Página»



Nuno Chaves, do blog Página a Página, todos os meses distingue um blog que considera que vale a pena visitar. A escolha de Novembro é este blog, que me tem roubado algum tempo no último mês e meio (mas que muito prazer me tem dado) - é o meu refúgio «anti-stress»!

Esta distinção só vem confirmar que foi uma escolha acertada «mergulhar» neste mundo da blogosfera, especialmente na que está directamente relacionada com a divulgação do gosto pela leitura. 
Obrigada, Nuno, por considerares que este é um blog que vale a pena ter em conta e continua o excelente trabalho no Página a Página, que, desde já convido todos a visitar (ou revisitar).

Umberto Eco é acertivo: "O Google é uma tragédia para os jovens"

Numa entrevista ao jornal Der Spiegel, Umberto Eco, escritor e semiólogo italiano (agora também curador de uma nova exposição no Louvre, em Paris), dissertou acerca do lugar que as listas ocupam na história da cultura, das formas pelas quais tentamos evitar pensar na morte e explicou porque é que considera o Google perigoso para os jovens. A entrevista foi publicada no UOL Notícias.

"A lista não destrói a cultura; ela a cria. Para onde quer que você olhe na história da cultura, encontrará listas. (...) Meus livros, a propósito, são cheios de listas"
"Por que me interesso tanto pelo assunto? Não sei dizer exactamente. Gosto das listas pela mesma razão que outras pessoas gostam de futebol ou pedofilia. As pessoas têm suas preferências"
"O Google faz uma lista, mas, no minuto em que eu olho para minha lista gerada pelo Google, ela já mudou. Essas listas podem ser perigosas - não para pessoas mais velhas como eu, que adquiriram o conhecimento de outra forma, mas para os jovens, para quem o Google é uma tragédia. As escolas precisam ensinar a fina arte de discriminar"

Uma imagem vale por mil palavras IV


 [As crianças tentam melhorar as suas capacidades de leitura na companhia de cães do canil local]

domingo, 15 de novembro de 2009

O Mundo Encantado de Beatrix Potter

Autor: Richard Maltby, Jr.
Título original: Miss Potter
Editora: Civilização
Páginas: 203
ISBN:
9789722625289
Tradução: Helena Machado Lope

Sinopse: Este livro é a adaptação para romance do guião do filme "O Mundo Encantado de Beatrix Potter", escrito pelo guionista Richard Maltby, Jr. Descreve a vida e obra de Beatrix Potter, a autora e ilustradora de bestsellers infantis cujo conto mais famoso é A História do Pedrito Coelho.
A imaginação e o talento para pintar foram a única fuga de Beatrix Potter a uma rotina controlada. Beatrix era uma solteirona de 30 anos, da classe média-alta inglesa da época vitoriana, cujas únicas experiências de vida dependiam das personagens que criava. A publicação dos seus livros infantis, o primeiro dos quais foi "The Tale of Peter Rabbit", catapultou-a para um novo mundo, onde pela primeira vez experimentou o sucesso, a independência e, o mais inesperado de tudo, o amor.



Opinião: A palavra «encantado» assenta que nem uma luva para descrever o mundo de Beatrix Potter. Nesse sentido, este é um livro encantador. Talvez por ter sido adaptado do guião do filme com o mesmo nome, acaba por estar despojado de tudo o que poderia ser acessório. A narrativa é muito fluída e confesso que acabei por ler mais de metade num só fôlego: quando Beatrix deixa de viver a vida através dos seus desenhos e começa a viver a sua queremos, simplesmente, saber como é que  essa  história vai acabar. E que história... 


Foi com 10 anos que Beatrix decidiu que nunca ia casar, mas sim desenhar. Quando a mãe lhe perguntou "Então, quem é que vai gostar de ti?" a jovem artista teve resposta pronta: "A minha arte. Os meus animais. Não preciso de mais amor do que isso. Ninguém precisa".
E assim foi. Beatrix chegou à idade adulta como uma «solteirona» inglesa do inicio do século XX, a quem o amor e uma vida a dois nunca tinha feito falta. No entanto, depois de tomar a arrojada decisão de se tornar numa «artista famosa» através da publicação das suas histórias para crianças (escritas e desenhadas por si) entra em contacto com sentimentos e sensações que nunca pensou existir. O resto é para descobrir - ou para relembrar, pois quem viu o filme o enredo não tem surpresas.



Tendo o filme antecedido o livro, achei muito interessante terem sido incluídas imagens estáticas de algumas cenas (Beatrix, os seus pais, Millie, outra irreverente solteirona, e Norman, o homem que virou a sua vida de pernas para o ar, surgem em diversas situações, desde a Festa de Natal até as idas à tipografia). Efectivamente, Renée Zellweger, e a sua personalidade doce e desajeitada, parece-me, à partida, uma opção perfeita para encarnar a sonhadora e encantadora Beatrix Potter.
Não resisti em ir acrescentado algumas ilustrações dos livros de Beatrix Potter, porque elas foram a única coisa de que senti efectivamente falta durante a leitura, embora sejam deliciosos os pormenores que nos explicam como é que esses amigos inseparáveis foram surgindo.

Classificação: Muito Bom (8/10)

sábado, 14 de novembro de 2009

O que é que Paulo Coelho e Dita Von Tesse têm em comum?


Dizem que é sempre bom alargar os horizontes e a «arte» tem destas coisas e pode ser aplicada aos mais variados domínios. Uma coisa sei, se a notícia se confirmar há muito boa gente que vai estar com os olhos bem abertos, mas não é para apreciar a escrita de Paulo Coelho...

"Por que eu sigo a Dita Von Teese? a) pela inteligência b) vou escrever o novo show dela c) somos apenas bons amigos", questionou ontem Paulo Coelho, no seu perfil no Twitter. O escritor brasileiro anunciou depois que a resposta certa era a b. Paulo Coelho vai escrever o próximo espectáculo da stripper norte-americana, Dita Von Teese e estar envolvido em toda a produção. Ainda este mês a artista tinha afirmado à Folha Online que estavam a planear trabalhar em conjunto no próximo ano. Jornal I

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Mais livros na Feira «Favourite Readings»

Não gosta de 6ªs feiras 13? Será que sofre de parascavedecatriafobia?


Sim, leram bem, parascavedecatriafobia (ou Parasquavedequatriafobia) é o nome específico que traduz o medo da sexta-feira treze e é de origem grega: παρασκαυεδεκατριαφοβία = Παρασκαυε, "sexta-feira" + Δεκατρείς, "treze" + φοβια, "medo". Pelos vistos, o medo patológico da "sexta-feira" treze remonta a tempos imemoriais. Pessoalmente, 6ª feira (13 ou qualquer outra) é sempre o melhor dia da semana e esta não será excepção!
De qualquer modo, se for o 13 que o assusta e não propriamente a sexta-feira, fica desde já a saber que sofre de Triscaidecafobia!

10 Melhores livros infantis: a escolha do NY Times Book Review

Todos os anos, desde 1952, o NY Times Book Review pede a um painel de juízes para que seleccionem os 10 melhores livros para crianças de entre as centenas que foram sendo publicados ao longo do ano. Aqui ficam os resultados: 


"Only a Witch Can Fly"


"MOONSHOT: The Flight of Apolo 11"


"The Odd Egg"


"A Penguin Story"


"The Lion and the Mouse"


"The Snow Day"


"Tales from outer suburbia"


"White Noise"
"All the World"
"YUMMY: Eight Favourite Fairy"

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Nova actualização da lista da Feira «Favourite Readings»

  • O Filho de Thor (Livro I - Saga das Ilhas Brilhantes) - Juliet Marillier - 9,5€ (edição Bertrand) RESERVADO
  • Máscara de Raposa (Livro II - Saga das Ilhas Brilhantes) - Juliet Marillier - 9,5€ (edição Bertrand) RESERVADO
  • Trilogia Guinevere - 3 volumes: "A Rainha do País do Verão", "O Cavaleiro do Lago Sagrado" e "A Criança do Santo Graal" - Rosalind Miles - 27€

"Ler entre linhas"




Boa iniciativa da Carris que tem como objectivo promover os hábitos de leitura. Não é «extraordinário», mas já é alguma coisa para começar a espalhar (ainda mais) a paixão (se possível, compulsiva) pelos livros.

A Carris vai passar a oferecer mensalmente nos seus autocarros e eléctricos 25 mil livros de bolso com capítulos ou excertos de obras literárias para "tornar as viagens mais agradáveis" e incentivar o gosto pela leitura.
Até ao final de 2010, ano em que ganhará maior dimensão com novas iniciativas, o projecto "Ler entre Linhas" vai incluir a distribuição, durante um ou dois dias, de parte de uma obra lançada pela editora Objectiva aos passageiros dos 750 autocarros e 55 eléctricos da sua rede.
A lista de livros ainda não está fechada, mas o primeiro, a ser oferecido no próximo dia 19, já está escolhido: "Querido Gabriel", no qual Halfdan Freihow descreve a complexa relação com o filho mais novo, a quem foi diagnosticado autismo aos três anos. Ler mais

Entrevista a Valerio Massimo Manfredi, autor de "O Exército Perdido" (JN)



Valerio Massimo Manfredi, autor da aclamada trilogia sobre Alexandre, o Grande, de volta com "O exército perdido".
Com a trilogia sobre Alexandre, o Grande, entretanto adaptada ao cinema, provou que os livros com fundo histórico também podem ser "best-sellers".
Sem abdicar da carreira de professor e arqueólogo, o italiano Valerio Massimo Manfredi construiu uma obra, já publicada em 38 países, que entrelaça o rigor dos factos à envolvência emocional apurada. Em "O exército perdido", o autor de "O império dos dragões" parte de um episódio histórico enigmático - o aniquilamento de um exército composto por 10 mil mercenários na Antiga Grécia - para concluir que o caminho para a glória não está apenas reservado aos vencedores.

A credibilidade é o atributo mais importante para um escritor que lida com factos históricos?
A História e a literatura são áreas muito diferentes. A História é a tentativa da Humanidade para criar uma memória comum que possa ser transmitida de geração em geração. Enquanto a literatura é um trabalho de imaginação, na História, temos que provar que tudo o que escrevemos é verdadeiro. A narração de histórias é bem diferente. Foi criada para preencher o vazio entre a nossa mente e a nossa vida, sendo que a primeira é muito mais vasta do que a segunda. Foi por isso que inventámos os épicos, o teatro, o cinema e a televisão. Enquanto a História nos fornece conceitos e transmite ensinamentos, a narração transmite emoções.

É por isso que atribui a mesma importância ao ensaio e à ficção?
O meu novo livro é um ensaio de arqueologia, mas sinto que, se quisesse, poderia ser convertido em romance sem dificuldade. Mas escrever este livro foi tão fascinante como contar uma história. São duas expressões diferentes, mas é a mesma pessoa que as escreve. Quando contamos uma história, esta tem que soar autêntica, pois, caso contrário, não haverá emoção envolvida. Ao lermos a "Odisseia", sabemos que os ciclopes ou as sereias não existem, mas as passagens que os descrevem soam tão fascinantes que nos sentimos a viver outra vida. Sem a "Odisseia", a Humanidade seria mais pobre. A verdade é que precisamos das emoções associadas à narração e dos conhecimentos que caracterizam a História.

Passa longos períodos a investigar em universidades europeias, escavando nas ruínas da História. É a parte mais aborrecida do seu trabalho?
Desconheço o significado da palavra "aborrecimento". Todas as experiências da minha vida têm sido interessantes. Comecei a carreira como investigador e é assim que ainda me defino. São duas maneiras diferentes de viver a minha vida e precisamos de ambas para nos sentirmos completos.

A escrita não é mais apaixonante?
Sim, na medida em que temos que sentir emoção por forma a transmitir estados de alma aos leitores. No entanto, defendo que investigar não é menos profundo do que contar uma história.

As respostas para os problemas actuais podem ser encontradas no passado, conhecendo a História?
O que cria o progresso é a possibilidade de acumulação de conhecimento. Podemos acumular sabedoria e transmiti-la aos nossos filhos. Se eles assimilarem esses conhecimentos, acrescentando novos ensinamentos, estaremos perante o que se designa por civilização. É certo que acontecimentos passados não se reproduzem mimeticamente no presente, mas claro que podemos sempre aprender com as lições da História. Além do mais, pode auxiliar-nos a evitar que cometamos os mesmos erros do passado.

Escrever um livro como "O exército perdido" era um projecto que acalentava há muito?
A pesquisa que deu origem ao livro foi a mais importante da minha vida académica. Procurei narrar a aventura de uma forma emotiva, porque reunia os condimentos para ser um grande livro. 

A longa investigação que precedeu a escrita faz de "O exército perdido" o livro mais recompensador da sua obra?
Qualquer um pode fazer investigação, desde que tenha recebido ensinamentos nesse sentido. Mas isso não faz de qualquer investigador um romancista. Por muito fidedignos que sejamos na transcrição de factos históricos, é preciso ter talento. E isso ou nasce connosco ou não. Tenho livros nos quais tudo é ficção, como "A torre da solidão". Isso não o torna menos verdadeiro aos olhos de quem o lê, porque tentei criar uma narrativa que sugasse o leitor para o centro da história, envolvendo-o. A nossa mente tem a capacidade miraculosa de tornar a ficção como algo verosímil. 

Por que continua a dar aulas apesar de vender milhões?
Não é uma questão de dinheiro. Quando ainda não passava de um jovem professor desconhecido, não era, seguramente, menos feliz do que sou hoje. Tinha menos dinheiro, mas dispunha de mais tempo para ler, viajar, estar com os amigos e namorar...JN

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ACTUALIZAÇÃO! Feira do Livro «Favourite Readings»

Adicionei alguns títulos:
As Trilogias têm um preço acima dos 10€ porque preferencialmente não se vendem em separado! 

Como publicar um livro? Safaa Dib responde!


Vale a pena ler até ao fim o artigo "Como publicar um livro (ou tentar, pelo menos)", no blog da editora Saída de Emergência.
Com humor q.b., é um artigo que condensa vários conselhos para os aspirantes a escritores (especialmente para estes!). Além disso, aborda a questão tendo em conta a era digital e é sempre interessante vislumbrar os bastidores (ainda que de uma forma tão caricata) desse tumultuado mundo das editoras.

Aqui fica um excerto, que é, na realidade, um advertência:
"Agora imaginemos que o Sr. Silva foi aprovado para edição pela editora XX. Ah maravilha! O Sr. Silva vai ser escritor! Vai ser rico! Desengane-se, Sr. Silva. Rico não vai ser de maneira nenhuma. Não estamos nos EUA em que o escritor vende um livro a uma editora e pode fazer ainda algum dinheiro jeitoso com essa venda. Até porque em Portugal só em raras excepções publicam-se mais do que 2000 a 3000 exemplares (e falo das grandes editoras). Elabora-se um contrato, recebe um X de pagamento, e depois fica à espera da percentagem que cabe ao autor pelas vendas, se houver boas vendas.
 Quem está nisto pelo dinheiro, vai ficar desiludido. Bastante desiludido. E a não ser que se chamem Miguel Sousa Tavares ou José Rodrigues dos Santos, não dá para viver só da escrita em full-time, sorry!"

"Novas Crónicas da Boca do Inferno", de Ricardo Araújo Pereira


"Novas Crónicas da Boca do Inferno" é o livro em que o humorista do grupo Gato Fedorento, Ricardo Araújo Pereira, reúne as cem melhores crónicas que publicou na revista Visão.
A obra, com uma tiragem inicial de 45 mil exemplares, é lançada no dia 21 na Fnac do Colombo, em Lisboa.
A editora Tinta da China é a responsável pela edição do livro, que é um segundo tomo de Crónicas da Boca do Inferno, no qual se coligiram igualmente os textos que o autor escreveu para a Visão. Estas crónicas sarcásticas do humorista terão incluído um desdobrável, e respectivo manual de instruções, a partir do qual cada leitor pode montar uma crónica "estilo móvel do Ikea", explicou Bárbara Bulhosa, da editora. DN


Excerto:
«Toda a gente está convencida de que o IKEA vende móveis baratos, o que não é exactamente verdadeiro. O IKEA vende pilhas de tábuas e molhos de parafusos que, se tudo correr bem e Deus ajudar, depois de algum esforço hão-de transformar-se em móveis baratos. É uma espécie de Lego para adultos. Não digo que os móveis do IKEA não sejam baratos. O que digo é que não são móveis. Na altura em que os compramos, são um puzzle. A questão, portanto, é saber se o IKEA vende móveis baratos ou puzzles caros. Há dias, comprei no IKEA um móvel chamado Besta. Achei que combinava bem com a minha personalidade. Todo o material de que eu precisava e que tinha de levar até à caixa de pagamento pesava 600 quilos. Percebi melhor o nome do móvel. É preciso vir ao IKEA com uma besta de carga para carregar a tralha toda até à registadora. Este é um dos meus conselhos aos clientes do IKEA: não vá para lá sem duas ou três mulas. Eu alombei com a meia tonelada. O que poupei nos móveis, gastei no ortopedista. Neste momento, tenho 12 estantes e três hérnias.»

Passar férias em Estocolmo segundo a trilogia Millennium


O site de reservas Hotels.com elegeu os melhores locais e hotéis de Estocolmo para viver as atmosferas da trilogia Millennium. Os fãs dos livros do sueco Stieg Larsson podem visitar os locais por onde passaram o jornalista financeiro Mikeal Blomkvist e a hacker Lisbeth Salander, protagonistas de Millennium.

 Todos os locais referidos nos livros de Larsson são reais e podem ser encontrados na área de Södermaln, um local que era um bairro de operários, antes de se tornar no bairro mais fashion de Estocolmo. A partir de Bishops Arms, o pub na esquina da casa de Mikael, chega-se aos Lungatant Steps, onde Lisbeth se escapa de um ciclista. Também se podem tirar fotos da Sisters Fountain, símbolo sueco da liberdade sexual.
Para comprar comida pode ir-se a um dos muitos "7-eleven" em que Lisbeth faz as compras, e depois ver a redacção da Millennium, revista produzida pelo protagonista, que fica na esquina entre Gotgatan 19 e Hokens 2, num edifício que na realidade é a sede da Greenpeace.
 

Para os fãs de Larsson que queiram visitar os locais de culto da trilogia com a ajuda de um guia profissional, todos os Domingos há uma "Millennium Tour" a partir do Stockholm Civic Museum. Ler mais

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Feira do Livro «Favourite Readings»



As minhas estantes já não aguentam com tantos livros e ao invés de os levar a um alfarrabista prefiro dar oportunidade aos potenciais compradores que passarem por aqui. Também se aceitam trocas - o que não serve o propósito de esvaziar a minha estante, mas um livro que ainda não se leu é sempre bem vindo.
Estejam à vontade para escolher de entre esta lista (que eventualmente será actualizada). 

Advertência: ao preço acresce 1,5€ para portes de envio / a partir de 20€ os portes são grátis (entregas em mão só negociadas na zona de Lisboa).
As Trilogias têm um preço acima dos 10€ porque preferencialmente não se vendem em separado!


Pagamento: Transferência bancária ou envio à cobrança

  • O Filho de Thor (Livro I - Saga das Ilhas Brilhantes) - Juliet Marillier - 9,5€ (edição Bertrand) RESERVADO
  • Máscara de Raposa (Livro II - Saga das Ilhas Brilhantes) - Juliet Marillier - 9,5€ (edição Bertrand) RESERVADO 
  • Trilogia Guinevere - 3 volumes: "A Rainha do País do Verão", "O Cavaleiro do Lago Sagrado" e "A Criança do Santo Graal" - Rosalind Miles - 27€